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Walter Franco parte sem perguntas, sem respostas


“Não me pergunte / Não me responda / Não me procure / E não se esconda / Não diga nada / Saiba de tudo / Fique calada / Me deixe mudo”.


A abrangência das suas letras e a irreverência de algumas interpretações, apesar das harmonias aparentemente simples, marcaram principalmente as participações de Walter Franco em festivais de músicas. Gravado por Chico Buarque nos anos 70, em meio aos desafios de driblar a censura (“Me deixe Mudo”, disco “Sinal Fechado”), se tornou cultuado por compositores, intelectuais e críticos, mas carregou ao longo da vida a fama de vanguardista, de restrito a um público pequeno. Deixou uma obra tão difícil de rotular quanto o artista, falecido na madrugada desta quinta-feira, 24 de outubro de 2019, aos 74 anos, em São Paulo.


Morreu na mesma cidade em que nasceu no sexto dia do ano de 1945, quando a Segunda Guerra Mundial entrava em sua fase final. Estudou artes cênicas na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP), onde iniciou a carreira de compositor, criando músicas para peças de teatro. Segundo a página oficial do músico, ele “partiu tranquilamente”, após ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) há cerca de duas semanas.



Walter Franco viveu o auge de sua carreira entre as décadas de 70 e 80, período em que compôs canções de sucesso como “Cabeça”, “Seja Feita a Vontade do Povo”, “Coração Tranquilo”, “Respire Fundo” e “Vela Aberta”. Além de Chico Buarque, teve músicas gravadas por Titãs, Leila Pinheiro, Ira!, Camisa de Vênus, Oswaldo Montenegro e Pato Fu, entre outros, e seu último álbum lançado foi “Tutano”, em 2001.


Não chegou a participar de nenhum movimento cultural musical, como bossa nova ou tropicalismo, mas sempre esteve na vanguarda, em vários momentos. Já era parte da Vanguarda Paulista, antes mesmo da expressão ser cunhada pela geração de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Trabalhou com arranjadores como Rogério Duprat e Júlio Medaglia, e teve a letra da música "Cabeça" traduzida para o inglês por Augusto de Campos. Seu álbum mais aclamado pela crítica foi “Revolver”, de 1975.


Em 1979, com "Canalha", conquistou o segundo lugar no Festival da Tupy de 1979. Cantada com a voz dilacerada, quase um grito primal, provocava uma catarse coletiva. A canção foi incluída no disco “Vela Aberta”. Outro sucesso de Walter Franco é "Serra do Luar", com um refrão marcante: "Viver é afinar o instrumento / De dentro prá fora / De fora prá dentro".

Walter Franco também era vice-presidente da Abramus - Associação Brasileira de Música e Artes, sociedade de recolhimento de direitos autorais filiada ao Ecad.


“Seja num canto / Seja num centro / Fique por fora / Fique por dentro / Seja o avesso / Seja a metade / Se for começo / Fique à vontade”

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