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Uma nova polêmica chega pelo mar da Bahia


No mar da Bahia chegaram as caravelas comandada por Pedro Alvares Cabral em 1500. Neste mesmo litoral naufragou o português Diogo Caramuru para ajudar a povoar as terras de Salvador. Pelo mar, escravizados em porões, vieram os negros que contribuiram na formação cultural e religiosa do Brasil. Aqui se enfrenta hoje o vazamento de óleo sem precedente que atingiu praias em todos os estados nordestinos. Também é pelo mar que chegou, para ancorar na capital baiana, a mais nova polêmica, com uma infeliz postagem em rede social da instituição responsável pelo projeto da "livraria flutuante" do navio Logos Hope.


Através do Facebook, a OM Ships International, que se denomina como uma organização cristã "dedicada a compartilhar conhecimento, apoio e esperança", criticou de forma clara a religiosidade afro-brasileira. “Ore por uma partida segura e uma simples viagem de dois dias para Salvador. Ore pela proteção, força e sabedoria para os membros da tripulação durante a estadia do navio em Salvador - uma cidade conhecida pela crença das pessoas em espíritos e demônios. Ore pela equipe de eventos enquanto eles se preparam para um novo porto e que Deus possa ser glorificado através de cada um dos eventos que estão chegando", disse a organização, em uma mensagem postada na manhã de terça-feira, 22 de outubro.


A mensagem recebeu muitas críticas na própria postagem e em outras publicações. Após a repercussão, às 11h40 desta sexta-feira, 25 de outubro, a publicação foi apagada. Aberto para visitação nesta sexta, o Logos Hope deve ficar em Salvador até o dia 5 de novembro. Ele cobra R$ 5 para dar acesso aos visitantes, enquanto crianças menores de 12 anos e adultos maiores de 60 anos possuem entrada gratuita.


Entre as críticas, alguns baianos lembraram que Salvador é uma cidade conhecida pela tolerância e pelo sincretismo, onde até mesmo Irmã Dulce, canonizada há alguns dias e denominada Santa Dulce pela Igreja Católica, conversava com representantes do candomblé, do espiritismo e dos evangélicos. "Eu rezo para que vocês aprendam a respeitar a cultura, as pessoas e a cidade que vocês vão visitar", disse uma internauta. "Acabei de desistir de visitar vocês! Respeitem minha cidade. Conheçam as crenças. Não julguem!", escreveu outra. "É inacreditável que a página de um projeto com o objetivo de levar conhecimento seja carregada com tanta ignorância", digitou um rapaz, para citar algumas críticas.


O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por meio da promotora Lívia Vaz, anunciou também nesta sexta-feira (25) que irá investigar o caso da livraria flutuante, no navio Logos Hope, que está em Salvador. A OM Ships International, responsável pelo evento, será investigada por discriminação religiosa, após uma suposta publicação preconceituosa em seu Facebook


Antes de ser apagado, o post também recebeu comentários favoráveis, em português e inglês, de pessoas dizendo "amém" ou que estão "orando". Autointitulada a maior “livraria flutuante” do mundo, o navio Logos Hope chegou a Salvador após passar por Santos, Rio de Janeiro e Vitória. Depois da capital baiana, ele seguirá para Belém, na última escala nesta temporada pelo Brasil. Ele já visitou também portos em outros países, como Chile e Argentina.


*Leia mais sobre o Logos Hope em https://www.cidadedabahia.com.br/post/maior-navio-livraria-do-mundo-visitará-salvador

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