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TCA, uma história de tragédias e renascimentos


Por Diogo Tavares


O Teatro Castro Alves (TCA), maior e mais importante centro de espetáculos e arte de Salvador, possui uma história tão atribulada que o coloca, antes de mero local de encenações e apresentações, como personagem principal de dramas e até tragédias. Fruto das ideias desenvolvimentistas do governador Antônio Balbino, o teatro que homenageia o "Poeta dos Escravos" teve em dois incêndios seus grandes vilões. O primeiro deles antes mesmo da inauguração oficial e o segundo em 1989, marcando o final de um período de abandono.


Era a madrugada do dia 9 de julho de 1958, cinco dias antes da abertura ao público, e a versão divulgada oficialmente foi de que um curto-circuito provocou um grande incêndio que destruiu aquele que deveria ser o mais novo espaço cultural de uma cidade que enfrentava um período de estagnação econômica. Como resultado, a abertura só ocorreria quase uma década depois, em março de 1967.


Mas as chamas da vaidade também arderam por aqueles tablados e paredes. Seu projeto original foi feito pelos arquitetos Alcides da Rocha Miranda e José de Souza Reis, em 1948. Porém o edifício construído foi aquele desenvolvido por José Bina Fonyat Filho e o engenheiro Humberto Lemos Lopes, tendo sido ganhador da IV Bienal de São Paulo, com suas linhas e conceitos modernistas que chocaram a sociedade conservadora baiana de então.


As obras da primeira reconstrução foram executadas pela então Secretaria de Viação e Obras Públicas, que na época chegou a publicar o livreto intitulado “A verdade sobre o Teatro Castro Alves”, incluindo fatos como o proposta de lei do então deputado estadual Antônio Balbino, em 2 de junho de 1948, fotos e imagens do projeto arquitetônico e entrevista com especialistas. O objetivo era justificar a não realização da proposta dos arquitetos Rocha Miranda e Souza Reis.


Balbino, que introduzira no governo do estado uma mentalidade de planejamento e fomento econômico, enfrentava sem sucesso as forças conservadoras. Neste processo, a edificação ganhou pilares em V que não faziam parte da planta original. Os contratempos, no entanto, não permitiram que ele avançasse nas obras em seu mandato e a reconstrução acabou abandonada pelo seu sucessor e opositor Juracy Magalhães.


Coube ao governador seguinte, Lomanto Junior, a tarefa de praticamente reconstruir o teatro. Enfrentou novamente a um verdadeiro escárnio da elite soteropolitana, avessa ao projeto e ao ativismo cultural. Finalmente pronto, foi inaugurado, em 4 de março de 1967, com a presença do presidente Humberto de Alencar Castelo Branco.


Local de grandes apresentações nos anos 70, o TCA não resistiria incólume ao choque cultural e, abandonado por anos a fio, chegou ao final dos anos 80 degradado. Novamente ardeu em chamas e em 1989 foi fechado outra vez.


A partir de 1991, no governo Antônio Carlos Magalhães, o teatro passou por uma ampla reforma ao custo de 10 milhões de dólares que lhe restituiu o vigor do qual originalmente havia imaginado Balbino. Foi reinaugurado mais uma vez em 27 de março de 1993.


Entre 2009 e 2010 foi promovido um concurso público nacional de projetos de arquitetura, voltado à requalificação e ampliação do teatro, organizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil, Departamento da Bahia (IAB-BA). O concurso foi vencido pelo escritório paulistano Estúdio América. As reformas começaram pela Concha Acústica, reaberta em 2016. Portanto o TCA prossegue em sua história, imponente e representativo da cultura da capital baiana, aparentemente livre de danos do fogo, sobretudo aqueles provocados pela fogueira das vaidades.