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Skank, uma história de sucesso com final anunciado


Uma notícia ruim e uma boa. A ruim, para quem gosta deles, é que a banda Skank vai acabar. A boa, para os mesmos, é que o grupo fará uma grande turnê de despedida no ano que vem. Tocando com a mesma formação desde 1991, o Skank afirma que não houve nenhuma briga entre os integrantes e foi apenas uma escolha de carreira, em que eles buscarão novos projetos solo.


“Não precisa nem da decadência, nem da guerra para terminar alguma coisa”, define o vocalista e guitarrista Samuel Rosa por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa. “É um grande desafio pessoal para cada um. Pode ser extremamente saudável nos reinventarmos, tentarmos coisas diferentes, ter esse espaço para liberdade criativa”, completa o tecladista Henrique Portugal.


Para marcar a despedida e comemorar as três décadas de carreira, o Skank fará a turnê “30 anos”, com 30 músicas que fizeram sucesso na voz de Samuel Rosa, além de uma canção inédita. As datas e os locais dos shows serão anunciados em janeiro de 2020.


A banda Skank foi formada em março de 1991 em Belo Horizonte, Minas Gerais. Em 28 anos, o grupo vendeu cerca de 6,6 milhões de discos, entre CDs e DVDs. Samuel Rosa (guitarra e voz), Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria) reuniram-se em torno do mesmo interesse: transportar o clima do dancehall jamaicano para a tradição pop brasileira.


Antes do Skank, em 1983, Samuel Rosa e Henrique Portugal começaram a tocar em uma banda de reggae chamada Pouso Alto, junto com os irmãos Dinho (bateria) e Alexandre Mourão (baixo). Em 1991, o Pouso Alto foi convidado para um show na casa de concertos Aeroanta, em São Paulo, mas como os irmãos Mourão não estavam em Belo Horizonte, o baixista Lelo Zaneti e o baterista Haroldo Ferretti foram chamados. Antes da apresentação, o grupo mudou seu nome para Skank, inspirado na música de Bob Marley, "Easy Skanking". "Skunk" é o nome de uma variação forte da cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha).


A banda fez sua estreia em 5 de junho de 1991 e, devido a final do Campeonato Brasileiro no mesmo dia, o público pagante foi 37 pessoas. Entre os presentes estavam Charles Gavin e André Jung, ex-bateristas dos Titãs e do Ira!. Após o show, os integrantes gostaram da performance e resolveram continuar juntos. Começou a tocar regularmente na churrascaria belo-horizontina Mister Beef, bem como as casas noturnas Janis, Maxaluna e L'Apogée.


O destaque da banda na cena underground despertou o interesse da gravadora Sony Music que, junto ao Skank, inaugurou no Brasil o selo Chaos. Começaria ali uma trajetória de grandes sucessos, shows lotados e reconhecimento em todo o país.


A consolidação do grupo ocorreu na fase dos três primeiros álbuns: “Skank”, “Calango” e “Samba Poconé”. Neste período, o grupo cresceu a um ponto quase inimaginável na realidade pop brasileira . Tinha shows marcados em Paris ou Miami como se as cidades estivessem logo ali, depois da divisa de Minas com São Paulo. É que a fórmula quase ingênua do quarteto mineiro, de pegar doses do que a nova geração jamaicana de Shabba Ranks e Pato Banton fazia, fugir um pouco do acento tão tradicional do reggae, mesclar com sons brasileiros e acrescentar letras originais e inteligentes.


Um dia, há cerca de duas d´pecadas, os quatro músicos do Skank estavam em uma rádio para gravar entrevista promocional de um single do terceiro álbum. Na gravação, o locutor olhou para a fisionomia exaurida dos músicos e perguntou: “O que é que vocês estão fazendo aqui? Estão tocando há dois anos sem parar. Vão para casa um pouco”.


Foi o que eles fizeram. Na sequência veio “Siderado”. Era o disco da entressafra, da passagem daqueles álbuns dancehall germinado no Brasil para uma sequência de canções que abriam o espectro para músicas de veia mais MPB, Clube da Esquina, Britpop e toda sorte de melodia afim.


Lançado em julho de 2000, Maquinarama é considerado um divisor de águas na carreira do grupo, que já não mais utilizou metais em suas gravações. Com os novos trabalhos, vieram mais hits radiofônicos, como "Balada do Amor Inabalável" – esta com ecos de Sérgio Mendes em clima cyberpunk.


Em 2001, a banda registrou seus sucessos no CD e DVD MTV ao Vivo em Ouro Preto (2001), que vendeu mais de meio milhão de cópias e rendeu a primeira posição nas paradas de sucesso para a balada "Acima do Sol".


O início de 2003 foi investido na preparação de "Cosmotron", álbum que chegou às lojas em agosto daquele ano. Enquanto o primeiro single, a balada psicodélica "Dois Rios", tocava nas rádios do Brasil (e o prêmio de melhor videoclipe pop no MTV Video Music Brasil 2003), o grupo se fez mais um giro internacional, com passagens por Portugal, Inglaterra e Bélgica, além de uma apresentação no palco principal do festival de Roskilde, na Dinamarca.


Em novembro 2004, a banda lançou a sua primeira coletânea de sucessos, "Radiola", com repertório focado nos discos "Maquinarama" (2000) e "Cosmotron" (2003). Intitulado "Carrossel", o álbum seguinte do Skank foi gravado no estúdio Máquina, da banda, em Belo Horizonte. O disco chegou às lojas pelas mãos da SonyBMG, em agosto de 2006. Na época, o Skank também disponibilizou todo o conteúdo do álbum em um aparelho de telefone celular. Com esta ação, o Skank tornou-se a primeira banda brasileira a fazer esse tipo de ação mobile. O modelo de aparelho, que vinha com todas as músicas do álbum de 2006, vendeu mais de 75 mil unidades e rendeu para a banda o primeiro Celular de Ouro do Brasil, certificação reconhecida pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD).


Dois anos depois do lançamento de "Carrossel", em outubro de 2008, o Skank reapareceu com "Estandarte", lançado no mercado com uma forte campanha viral. A revista Rolling Stone considerou-o um dos 25 melhores álbuns nacionais lançados em 2008 e a música "Chão" uma das 25 melhores canções. Ainda no mesmo ano, o álbum "Estandarte" foi indicado ao Grammy Latino 2009, na categoria "Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro".


No dia 19 de junho de 2010, o Skank gravou, no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, o CD e DVD, Multishow Ao Vivo - Skank no Mineirão, projeto da banda em parceria com a Sony Music e o canal Multishow. Também naquele ano foi lançada uma versão comemorativa dos 15 anos de “Calango” com faixas bônus. O “Samba Poconé” receberia o mesmo tratamento.


Em junho de 2011, o Skank se tornaria a primeira banda brasileira a ganhar um Leão de Ouro no Cannes Lions, um importante prêmio de publicidade mundial. O prêmio foi dado ao projeto Skankplay, uma plataforma que possibilitava que qualquer pessoa simulasse uma jam session com o Skank e participasse do clipe da música "De Repente". O projeto, criado pelo coletivo DonTryThis, em parceria com o Skank-, foi premiado na categoria "Melhor Uso de Mídia Social". Em 2012, a banda lançou um disco com seu primeiro show e com suas primeiras gravações de estúdio, em 91.


Em 2014 a banda lançou seu disco “Velocia”, tendo como primeiro single "Ela me deixou", cujo videoclipe teve participação dos fãs, por meio da promoção de uma marca de chiclete. Já mais recente trabalho, “Os três primeiros”, reuniu obras dos álbuns iniciais numa gravação ao vivo realizada no Circo Voador, no Rio de Janeiro.


Em quase três décadas de existência, o Skank emplacou sucessos como "Jackie Tequila", “Te Ver", "Garota Nacional", "Resposta", "Mandrake e Os Cubanos", "Saideira", "Três Lados", "Balada do Amor Inabalável" e "Canção Noturna", "Acima do Sol", "Dois Rios" e "Vou Deixar". Com esta última, fica a mensagem oportuna: “Vou deixar a vida me levar / Pra onde ela quiser”.

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