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Rosa Luxemburgo é tema de espetáculo no Goethe-Institut


No ano do centenário da morte de Rosa Luxemburgo, a Fundação Rosa Luxemburgo, com parceria do Goethe-Institut, traz ao Brasil o espetáculo “Rosa - Apesar de Tudo” (Rosa - trotz alledem), montagem alemã que faz apresentação gratuita em Salvador no domingo, dia 22 de setembro, às 19h, no Teatro do Goethe-Institut Salvador, no Corredor da Vitória. A atuação será em alemão, com legenda em postuguês. Ingressos gratuitos devem ser retirados uma hora antes do início da sessão.


Além da capital baiana, a montagem também será apresentada em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Com texto e direção de Anja Panse, o espetáculo, que estabelece paralelos da vida e atuação de Rosa Luxemburgo com a atualidade para evidenciar mecanismos de poder e injustiças sociais sempre recorrentes, traz no elenco os atores Susanne Jansen, Lutz Wessel e Arne van Dorsten.


A diretora Anja Panse teve seu primeiro contato com Rosa Luxemburgo quando leu as cartas que ela escreveu na prisão, com relatos poéticos de como a filósofa e revolucionária suportou seu encarceramento político. A partir desses escritos, Anja foi atrás da biografia e textos políticos de Rosa. O que encontrou nessa pesquisa foi um pensamento e uma voz que ainda possuem relevância e atualidade.


A contemporaneidade do pensamento de Rosa se dá por meio de uma junção entre cenas do passado com o tempo atual. Numa espécie de colagem, várias etapas da vida de Luxemburgo são combinadas com cenas e atores do presente. “Assim, as semelhanças de certos desenvolvimentos sociais são evidenciadas, ou também as diferenças. Além disso, não queríamos contar uma biografia de Rosa Luxemburgo, mas escolher aspectos de sua vida que, em sua esfera de influência, são relevantes para nós. Isso não resulta numa linha de ação rigorosa, mas uma sequência de associações que exerce um apelo todo próprio”, explica Anja Panse.


Esses encontros entre Rosa e o mundo de hoje se dão com o uso de música, atuação e teatro de marionetes. “A música ao vivo e os bonecos nos possibilitam combinar cenas de cunho humorístico com elementos poéticos e transpor conflitos político-dramáticos para um registro com mais leveza. A música cria uma atmosfera muito própria aqui. Por exemplo, a nossa ‘Rosa’, a atriz Susanne Jansen, canta canções de Hugo Wolf, o compositor favorito de Rosa Luxemburgo, e com isso dá vida ao mundo emocional da protagonista. Devido ao efeito de estranheza que causam os bonecos, é possível acrescentar outras maneiras de atuar. Assim, através da ‘Boneca Rosa’, especialmente criada para a peça, podemos mostrar o mundo interior da experiência de Rosa Luxemburgo, sua vida não vivida e seus anseios, sem cair num naturalismo ingênuo”, justifica a diretora.


Nascida em 5 de março de 1871 em Zamoṡc, pequena cidade polonesa então ocupada pela Rússia, Rosa foi a quinta filha de uma família judia emancipada e culta. Iniciou sua militância no movimento operário (ilegal) em Varsóvia, onde frequentou o liceu para moças, e, antes dos 18 anos, teve de fugir por conta da perseguição política, refugiando-se na Suíça. Em Zurique, estudou Ciências Naturais, Matemática, Direito e Economia Política, e com 22 anos fundou, com Leo Jogiches, Julian Marchlewski e Adolf Warski, a Social-Democracia do Reino da Polônia (SDKP).


Em 1897, defendeu doutorado sobre desenvolvimento industrial da Polônia e um ano depois mudou-se para Berlim, onde passou a militar na socialdemocracia alemã (SPD). Durante dez anos, entre 1904 e 1914, Rosa Luxemburgo representou o partido socialdemocrata polonês e lituano, como passou a se chamar a entidade após 1900, no Bureau socialista internacional em Bruxelas. Em 1906 viajou clandestinamente para Varsóvia a fim de colaborar com a revolução russa iniciada um ano antes, e foi detida junto com Jogiches, passando quatro meses na prisão. Entre 1907 e 1914 foi professora da escola de quadros do partido socialdemocrata alemão, sendo deste período a elaboração de obras como “A acumulação do capital” (1913) e “Introdução à economia política” (1925).

Acusada de agitação antimilitarista, Luxemburgo ficou presa durante um ano entre 1915 e 1916 e por mais alguns meses logo em seguida.


Na prisão, escreveu “A crise da socialdemocracia” (1916) e “A Revolução Russa”, na qual se contrapõe a alguns aspectos dos bolcheviques russos dos quais ela discordava. Foi libertada em 8 de novembro de 1918, no início da revolução alemã. Na virada de 1918 para 1919, participa da fundação do Partido Comunista Alemão (KPD) e em janeiro deste ano foi presa junto com Karl Liebknecht no que foi conhecido como a “insurreição de janeiro”. Ambos foram assassinados em 15 de janeiro de 1919 por tropas do governo. Rosa Luxemburgo tinha 48 anos.


*Texto base divulgação

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