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Restauração da igrejinha de Sant’Ana mobiliza moradores



"É preciso restaurar urgente essa antiga igrejinha de Sant'Ana, no Rio Vermelho e dar uma utilização para esse prédio antes que desabe e jogue por terra toda a luta da comunidade que no passado não muito distante se mobilizou para que não fosse derrubada". O apelo da jornalista e antiga moradora do bairro Carmela Talento começou a circular nas redes sociais desde a semana passada com adesão de várias pessoas também residentes do Red River.


"Se tivéssemos governos que valorizassem a cultura e o patrimônio, bem que poderia ser um centro cultural com apresentações, cursos ou o museu do bairro", reforça Carmela, lembrando que história para isso o bairro boêmio tem, o que falta é vontade para resolver. Segundo ela não adianta ficar passando tinta nas paredes do templo, sem recuperar o telhado, as portas e janelas, além do reboco que está todo estragado. O imóvel é antigo e necessita de manutenção constante e fechado a situação só faz piorar".


A igrejinha da santa padroeira do bairro deu origem ao largo de Sant'Ana, que tem o cheiro do famoso acarajé da Dinha, dos abarás, bolinho de estudante, tapioca e de outras guloseimas que circulam com os ambulantes pelo local. As cervejas geladas e as 'roskas' de frutas como tamarindo, cajá, siriguela, entre outros sabores, também são disputadas nos bares e quiosques da área. As mesas e bancos do largo tem personagens permanentes: o casal Jorge Amado e Zélia Gattai, acompanhados do cão de guarda Fadul.


Mas é sobre a primeira Paróquia de Sant'Ana, a igrejinha que fica no largo e que está pedindo "socorro", que o Cidade da Bahia referenda agora. É um mini templo, sem torre ou sino e foi construída em duas etapas. Ela não ostenta nada além das suas estruturas precárias composta por paredes de alvenaria, telhado, porta e janelas, todas necessitando de imediata reforma. Sem ouro, prataria ou imagens valiosas, a necessidade do momento é uma cuidadosa reforma em caráter de urgência. Com apenas 18 bancos e capacidade para 72 pessoas sentadas e 78 em pé, a antiga igrejinha de Sant'Ana foi substituída em termos de paróquia pelo atual tempo que fica a beira mar, ao lado da Colônia dos Pescadores e da Casa do Peso onde está a imagem de Yemanjá. O novo santuário foi inaurado em 1967 quando, segundo a arquidiocese, a igrejinha teria se tornado 'inútil', ou seja, a única capela no estilo provincial rural em Salvador, foi descartada.


A igrejinha resistiu, inclusive, ao desejo, ao desejo do padre Antonio Vieira, vigário da Paróquia do Rio Vermelho, quando o templo novo foi inaugurado. Surgiu ainda a ideia de demolir a capelinha para melhor fluir o tráfego de automóveis e ônibus na área. Mas contra a derrubada estavam os escritores, artistas, poetas, jornalistas, publicitários, professores e a maioria dos moradores do bairro. A igrejinha tinha ainda a proteção intelectual de Jorge Amado, Mário Cravo, Jenner Augusto, Carybé entre outros.


Foi o então prefeito de Salvador Antônio Carlos Magalhães que ordenou o cancelamento do alvará da demolição da capelinha, símbolo do 'bairro dos artistas', onde o Mestre Bimba, criador da capoeira regional, se casou. Porém a Arquidiocese de Salvador dizia ter interesse em dar ao templo alguma utilidade, desde que fosse algo voltada para religião católica. Foi quando o prefeito ACM iniciou uma obra para a sua requalificação, a pedido de Jorge Amado e seus amigos.


A proposta da comunidade do bairro é de revigorar com urgência a capelinha para que se torne um espaço cultural, com exposição de fotografias, pinturas, esculturas e outras atividades nesse segmento. Inclusive, com um painel permanente contando a história de luta e resistência da capelinha do Largo de Sant'Ana.


*Fontes: Documento de 100 anos da Paróquia do Rio Vermelho, por Ubaldo Marques Porto Filho, e Site Saravá: Memória e Afetos (Caroline Freitas), foto Secom

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