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Quem tem boca vai a Roma


Por Diogo Tavares*


Então tá, vou contar o segredo do meu sucesso na culinária. Pra começar, sempre tive um alto padrão, degustando desde que me lembro de existir o nhoque, o macarrão alho e óleo, a berinjela à milanesa de dona Doda, minha mãe Theodosia Provasi. Depois, a necessidade diante da falta de mão de obra terceirizada na cozinha. Por fim, os elogios eventuais me fizeram enveredar por mares nunca dantes navegados, voltado quase sempre para o meu gosto e a minha origem italiana materna.


Mas não foi fácil. O primeiro nhoque que fiz, muito antes de adotar a grafia gnhocci, ficou tão duro que eu me lembrei da infância por outro motivo. Daria para substituir, com vantagens, as mamonas como munição de estilingue.


Lição aprendida, resolvi maneirar na farinha. O segundo nhoque não seria bala de bodoque. Preparei num domingo e convidei alguns amigos para a experiência. O velho Valença poderia confirmar, se vivo estivesse. Mas não foi naquele dia que ele nos deixou. Fiz um franguinho assado, outra lembrança da mama, e o nhoque... Bom, derreteu quando foi ao forno para gratinar.


Tentei dar um zig e explicar que o cardápio seria frango com purê, mas acho que não convenceu. Amigos muito bons evitaram que o futuro gourmet morresse ali.


Enfim, estimulado pela muié Nádya, o cozinheiro despertou. Depois do nhoque e do molho de guerra que desenvolvi, aprendi a fazer macarrão caseiro, massa de pizza e outras coisitas. Muito antes de se pensar em programas tipo Masterchef.


Tirei passaporte italiano, estudei a língua dos meus antepassados e fui duas vezes para a Itália. Então é aqui que me encontro. Já fiz muita pasta italiana, me viro bem na língua de Dante e estou credenciado para me oferecer para um novo trabalho. Quero ser embaixador do Brasil em Roma.


*Exclusivo para o Cidade da Bahia