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Petição solicita decretação de emergência ambiental internacional


Decretação de estado de emergência ambiental nacional e internacional, com a união de esforços para combater o desastre causado pelo vazamento de petróleo no Oceano Atlântico e no litoral do Nordeste do Brasil, e a adoção de medidas para a recuperação dos biomas atingidos e redução do impacto social. Este é o teor da petição pública elaborada por um grupo de jovens nordestinos, ligados a movimentos de renovação política, que está recolhendo assinaturas de apoio através do site Change.org. O documento destaca que a dimensão do desastre exige uma ampla união de esforços não só para reduzir os prejuízos ao meio ambiente, mas também para diminuir o impacto social sobre as famílias de trabalhadores que perderam suas fontes de sustento, uma situação que pode se prolongar por mais de uma década.


Assinada pela baiana Camila Godinho, pelo pernambucano Felipe Oriá, pelo alagoano Gustavo Gobbi e pela sergipana Clarissa França, a petição destaca que este vazamento de petróleo possui características únicas, que exigem a convocação de uma força tarefa internacional. Conforme o documento, é necessário mobilizar todos os atores disponíveis em uma frente de ação ambiental e uma frente de ação humanitária.


“A gente não pode ficar com o mínimo possível, como tem acontecido até aqui”, pontua a gestora socioambiental Camila Godinho, se referindo aos meios e recursos disponibilizados nestes primeiros 40 dias para conter os efeitos do desastre. Segundo ela, as características únicas deste vazamento mostram dificuldades inéditas, acima das possibilidades do Brasil. Ela lista a indefinição da origem do vazamento, a presença da substância no mar parcialmente submersa em quantidades e localização desconhecidas, assim como a incapacidade tecnológica para avaliar e reduzir danos ambientais e sociais.


“O Nordeste tem mais de 700 mil pescadores e marisqueiras. Não temos ainda tecnologia para limpar um manguezal. O ciclo do caranguejo, por exemplo, é de cinco anos. Então, se formos esperar o manguezal se recuperar, as pessoas que vivem do caranguejo podem ficar mais de dez anos sem sua fonte de sustento”, cita, acrescentando que é preciso buscar tecnologias para a recuperação dos biomas e ações efetivas para desenvolver alternativas de subsistência para as pessoas que dependem deles.


“Até agora chegaram às praias do Nordeste cerca de 75 mil toneladas de petróleo. Um petroleiro pode carregar até 750 mil toneladas. Então ninguém sabe também se acabou ou quando vai acabar”, avalia Camila Godinho. O abaixo-assinado foi colocado no ar por volta das 15h desta quarta-feira, 23 de outubro. Até o início da noite do mesmo dia, o site Change.org registrava mais de mil assinaturas. A ideia dos idealizadores é que o documento com as assinaturas leve os governos em todas as instâncias e a sociedade civil a adotarem as medidas necessárias a ampliar as ações e a divulgação para que o mundo entenda o tamanho do problema, dando início a uma imprescindível cooperação internacional.


*Foto de Salve Maracaípe/Fotos Públicas