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Painéis abordam desafios de Salvador diante do quadro de mudanças climáticas


Atesta o dito popular que roupa suja se lava em casa. Tirando do contexto a interpretação de desavença, a verdade é que, no primeiro dia da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC), que acontece em Salvador até sexta feira, 23 de agosto, os desafios da capital baiana diante dos efeitos do aquecimento global ocuparam um bom espaço da agenda. O evento foi aberto nesta segunda feira, 19, pelo prefeito ACM Neto e contou, logo de saída, com a realização do painel “Salvador de mudança do clima”. Na parte da tarde foi a vez do painel “Inovação, adaptação e resiliência urbana” abordar a situação da cidade e o que pode ser feito de forma integrada para a redução da emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global.


Coube ao climatologista Carlos Nobre, ainda na parte da manhã, fazer uma “provocação”, dando o tamanho do desafio da capital baiana. Salvador é signatária do documento 20 + 20, com metas rígidas para emissões a serem cumpridas, e assinou a carta de compromisso “carbono zero” até 2050. Isso quer dizer que nos próximos 31 anos a cidade não estará contribuindo para o aquecimento global. Além disso, terá que se tornar resistente aos efeitos radicais do clima, que continuarão a se intensificar, pois a redução das emissões apenas impede a piora, mas não reverte o efeito do estrago que já foi feito.


Durante o primeiro painel, a Prefeitura apresentou o Plano Municipal de Adaptação e Mitigação da Mudança Climática, contratado com recursos do BID e que se inicia este mês. Carlos Nobre falou sobre o que pode acontecer com a cidade, a saúde humana e a agricultura se a temperatura média global continuar aumentando.


Durante painel realizado na parte da tarde, o professor e pesquisador José Célio Andrade destacou que a primeira ação a fazer e realizar um inventário mais amplo e atual da emissão de carbono em Salvador. O único levantamento feito, com dados de 2013, se restringe apenas á emissão direta, não avaliando o que é produzido fora e consumido em Salvador, praticamente a grande maioria dos itens industrializados e alimentos.


Tomando por base sua atividade, com predomínio do setor de serviços, 74% das emissões em Salvador vêm do grupo transportes, 18% de energia e 8% de resíduos. “Considerando transportes também como energia, 92% correspondem a energia”, resume. Mas, segundo ele, este estudo precisa incorporar também o que é produzido fora e consumido em Salvador e também deveria abranger toda a Região Metropolitana de Salvador, pois não se pode excluir da mostra os municípios vizinhos.


Além de dados mais realistas, Andrade acredita que as soluções precisam nascer e ser implementadas dentro de uma visão integrada que respeite também a questão social. Soluções integradas e que também beneficiem a população de forma econômica ainda foram lembradas pela integrante da Câmara Temática de Resíduos Sólidos, Viviana Zanta. Segundo ela, não basta dar solução final aos resíduos, é preciso mudar comportamentos e processos em toda a cadeia produtiva. Afinal, segundo ela, resíduo não é lixo, é desperdício. “Um terço da cadeia produtiva de alimentos se perde no caminho”, lembra, defendendo que Salvador é um celeiro de novas ideias, que já estão sendo colocadas em prática em estruturas de coleta seletiva e uso de compostagem em hortas comunitárias.


A questão das praias da capital baiana foi lembrada pelo coordenador de Gestão Costeira do painel, Ícaro Moreira. Revela que apenas a praia da Ilha dos Frades possui atualmente a bandeira azul. Segundo ele, a questão do cuidado com os rios envolve inclusive uma questão de economia local, que pode reduzir a emissão de gases com o transporte para praias mais distantes e fomentar a geração de rendas com uma utilização melhor do litoral da cidade. Sobre a questão da resiliência, ele lembrou que grande parte do efeito será sentida no litoral, com o avanço do mar, criando a necessidade de superação de desafios econômicos e sociais.


Além do prefeito ACM Neto, participaram da abertura do evento, que acontece na Cidade do Clima, montada no Salvador Hall, o secretário municipal de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência, André Fraga, o embaixador da Holanda, Kees Van Rij, o primeiro-secretário da embaixada alemã, Lutz Morgenstern, entre outras autoridades.