Receba nossas atualizações

  • Cidade da Bahia
  • Ícone do Facebook Branco

© 2019 por Escriba Comunicação & Consultoria. Criado com Wix.com

  • Cidade da Bahia

Odair José desperta para o rock na “Casa das Moças”


O jornalista Álvaro Costa e Silva, o Marechal, o cantor e compositor Toni Platão e alguns outros estudantes de jornalismo no início dos anos 80 estavam destilando as aulas de filosofia com o professor Fernando Muniz no “pé sujo” na Zona Sul do Rio de Janeiro quando a figura apareceu. Acompanhando o irmão Donizeti, também estudante, surgiu com um chapéu com penas coloridas, a exemplos dos utilizados por antigos cafetões do Harlem, e foi logo pagando cerveja para a galera. Longe de ser recebido com o rótulo de “brega” imposto pela indústria cultural, encontrou um grupo de ouvintes atentos para as suas ideias e admiradores das suas músicas.


A cena acima, repetida várias vezes com algumas variações, mostra que os rótulos nunca bastaram para definir o cantor e compositor Odair José. Autor ou intérprete de músicas de protesto sem dogmas, ídolo das empregadas e prostitutas, pedia “pare de tomar a pílula” e prometia “eu vou tirar você deste lugar”. Somente quem não conhece a figura por trás da história se surpreende que agora, aos 70 anos, ele se reinvente e apresente o melhor rock brasileiro. É isso mesmo, é do velho Odair incansável de guerra que a música crítica (e rirmica) renasce para mexer com os esqueletos guardados nos armários dos quartos escuros.


Desprezado pela indústria cultural estabelecida, o goiano Odair José busca seus próprios caminhos e fala ao público que sempre teve ao lançar um novo disco: “Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio”. Não precisa escutar duas vezes para gostar, pois são músicas do melhor rock and roll com letras críticas e sagazes que em alguns momentos chegam a lembrar os “toques” de Raul Seixas ou a ironia de Rita Lee. Nada parecido com o romântico cantor de “Vou Tirar Você Desse Lugar” (1972), “Deixe Essa Vergonha de Lado” (1973) e “O Filho de José e Maria” (1977).


No novo trabalho, as faixas estão divididas em blocos, um mais político, outro mais sexual (com Na Casa das Moças, Fetiche e Gang-Bang). Uma terceira vertente faz o autobiográfico registro da vida de artista popular brasileiro: “Rapaz Caipira, Imigrante Mochileiro” (em dupla com o pernambucano Jorge du Peixe, da Nação Zumbi).


Numa das faixas o narrador (Thunderbird) anuncia a “incrível liquidação de armas de fogo. Você Pediu, Agora Chupa!”. É a música “Chumbo Grosso”, cantada em trio com as cantoras transexuais d’As Bahias e a Cozinha Mineira e autoexplicativa: “O assunto agora é a cultura da bala/ na falta de argumento a solução é uma vala/ alguém mergulhou nas contas do pré-sal/ não deu praia, se deu mal”. Em outro trecho, volta narração: “Este disco é indicado para estupidez coletiva. Se persistirem os sintomas, procure um psiquiatra“.


*Foto de Vinicius Denadai


Ouça abaixo o novo disco de Odair José.