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Obras revelam estrutura histórica na Praça Castro Alves


Uma estrutura aparentando degraus ao redor de uma balaustrada circular foi descoberta durante escavações realizadas na Praça Castro Alves em virtude das obras de requalificação da Avenida Sete, no Centro de Salvador. Ainda não há informação oficial sobre a origem da descoberta, mas a principal hipótese é que se trate de parte do antigo Theatro São João, que foi a maior casa de espetáculos do país no Século XIX. Outra teoria levantada é que seja a base de uma antiga fonte de água. Fotos recentes, feitas por Cesar Alvarenga e publicadas pelo Instagran e Facebook @amoahistoriadesalvador, mostraram a dimensão da descoberta.


Conforme noticiado pelo Cidade da Bahia, as primeiras estruturas no local foram encontradas logo no início das obras, em junho de 2019, e comporiam parte da fundação do antigo teatro, completamente destruído por um incêndio no dia 6 de junho de 1923. Parte da área do teatro teria sido ocupada pelo prédio do Palácio dos Esportes, mas é possível que algumas das estruturas tenham sido soterradas sob a área atual da praça.


O Theatro São João da Bahia foi o primeiro grande teatro de ópera do Brasil, inaugurado em 13 de maio de 1812, aniversário do príncipe regente Dom João. A criação do teatro foi justificada em 1806, por uma portaria do Conde da Ponte, na época governador régio da Bahia. Foi erguido nas proximidades da Porta de São Bento e parcialmente custeado com uma loteria. Sua arquitetura seguiu o estilo Luís XVI, mas o projeto perdeu-se no bombardeio de Salvador de 1912, quando um incêndio consumiu a Biblioteca Pública.


Notícias da época revelam que as madeiras de lei utilizadas na construção foram jacarandá e cedro, que existiam várias pinturas e esculturas ornamentais em grandes tamanhos e que a acústica era muito elogiada. As paredes da construção eram muito espessas, uma das prováveis razões de sua longevidade. Foi o quarto teatro público da Bahia e estima-se que tinha capacidade para mais de 800 pessoas, embora alguns autores acreditem que chegasse a 2.000.



No caso de se tratar de uma fonte, esta poderia ser anterior ao próprio teatro. Em ambos os casos, a descoberta representa um importante registro da Salvador antiga. Por isto, cresce entre os historiadores e entidades da sociedade civil a proposta de que o local deva ser preservado de alguma forma para futura visitação pública.


*Fotos de Cesar Alvarenga