• Cidade da Bahia

Ninguém precisa de ajuda para perder eleição



Diogo Tavares*


É muito fácil disputar e perder uma eleição sozinho, sem ajuda de ninguém. Praticamente todos que fazem a opção da campanha solo acabam descobrindo isso. Ter equipe é privilégio de quem ganha eleição, assim como aquele eleito que tem uma gestão de sucesso nunca será um cavaleiro solitário.


A ideia que se popularizou nos últimos tempos, amparada no case Bolsonaro e mais recentemente no isolamento causado pelo coronavírus, é de que basta o candidato ir para o WhatsApp, Instagran, Twitter, Fecebook e similares, se encher de seguidores, e está feito, está eleito. Não é assim não, seguidor não é eleitor, uma campanha não se faz com meia dúzia de posts legais e, acreditem, mesmo uma equipe, embora amplie as chances, não é nem de perto garantia de sucesso.


O primeiro mito a se derrubar, no bom sentido, é a história do “mito”. O termo “tempestade perfeita” é usado para designar uma situação em que uma combinação rara e improvável de circunstâncias, geralmente com uma conotação negativa, gera resultados extremos. No caso aqui citado, esta combinação incluiu o repúdio ao partido que governou o país por 16 anos, a descrença no perfil tradicional de político e a sempre presente crença no salvador da pátria. A vaidade de Lula, que manteve sua candidatura improvável até após ser impossível e abusou da arrogância de rejeitar alianças amplas, a insistência em perfis rejeitados, a ausência de outros personagens carismáticos e a facada imbecil também contribuíram para um cenário de tempestade perfeita para todos os que não queriam o resultado que saiu das urnas.


Outro fator a se considerar, e este é bem mais importante, é que o atual presidente construiu a sua imagem nas redes sociais ao longo de mais de quatro anos. Ou seja, sua campanha já estava em andamento muito antes do período eleitoral ou de que os fatores climáticos a tornasse viável. Talvez improvisadamente, talvez instintivamente, talvez de forma tosca e de mau gosto, mas jamais uma cruzada solitária e desnorteada. Teve o mérito de descobrir a direção do vento e das ondas para surfar na tempestade.


Então, para disputar sozinho e não perder uma eleição, o candidato precisa estar construindo o seu perfil há alguns anos, ter bandeiras polêmicas e defensores delas, contar com um oponente quase unânime em rejeição, ter adversários apagados ou com estratégias erradas, se possível sofrer um atentado e não morrer. Ou terá que correr muito para agregar as competências necessárias no tempo que cada vez fica mais curto.


Por isso volto ao que está no título. Ninguém precisa de ajuda para perder eleição. E este será o destino de muitos candidatos que estão vendo parte das evidências sem olhar o todo. A campanha este ano será sim mais enxuta, a internet terá um papel maior, o cidadão seguirá em busca de algo novo, mas será preciso “pescar” o eleitor. Ele não curte, não compartilha, não segue. Ele vota! E a menos que haja uma tempestade perfeita para ajudar, ele não vai contribuir para eleger um amigo virtual.


*Jornalista, consultor de comunicação e escritor

Receba nossas atualizações

  • Cidade da Bahia
  • Ícone do Facebook Branco

© 2019 por Escriba Comunicação & Consultoria. Criado com Wix.com