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Moraes Moreira: o alto-falante silenciou



O baiano de Ituaçu Antônio Carlos Moraes Pires, conhecido como Moraes Moreira, fundador do grupo “Novos Baianos” e um dos cantores e compositores mais importantes da música brasileira, morreu nesta segunda-feira, 13 de abril, aos 72 anos, em sua residência no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. O músico, pioneiro ao acrescentar voz aos instrumentos nos antigos trios elétricos do Carnaval de Salvador, sofreu um infarto agudo do miocárdio. Dos antigos alto-falantes às redes sociais, nunca deixou de criar. Em uma das suas últimas postagens, publicou um cordel sobre os tempos atuais com o título de “Quarentena”.


Moraes Moreira começou tocando sanfona de doze baixos em festas de São João e outros eventos de Ituaçu, o "Portal da Chapada Diamantina". Na adolescência aprendeu a tocar violão, enquanto fazia curso de ciências em Caculé, Bahia. Depois mudou-se para Salvador, onde conheceu Tom Zé, e também entrou em contato com o rock n' roll. Mais tarde, ao conhecer Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, formou o conjunto “Novos Baianos”, onde ficou de 1969 a 1975. Juntamente com Luiz Galvão, foi compositor de quase todas as canções do Grupo.


Em 1970 o grupo lançou o disco “É ferro na boneca” e em 1972 o álbum “Acabou Chorare”, que foi considerado pela revista Roling Stone Brasil em primeiro lugar na lista dos 100 melhores álbuns da história da música brasileira divulgado em 2007. Após a passagem pelo grupo, inciou carreira solo. Também se destacou como o primeiro cantor de trio elétrico, atuando no Trio de Dodô e Osmar, e lançou diversos sucessos de músicas de Carnaval, no que se convencionou chamar de "frevo trieletrizado". Alguns dos sucessos dessa fase são "Pombo Correio", "Vassourinha Elétrica" e "Bloco do Prazer”.


Nos anos 1980, sempre exaltando a "baianidade" e a brasilidade, uma de suas principais marcas artísticas, oxigenou a carreira com álbuns como "Mancha de Dendê Não Sai", "Tocando a Vida", "Mestiço é Isso" e “Alto-falante”, que trouxeram novos timbres e sonoridades e ajudaram a renovar seu público. Nessa época, ele passou a participar de programas de TV e ganhou ainda mais notoriedade ao emplacar trilhas em várias novelas da TV Globo, incluindo o sucesso "Roque Santeiro" (1985), que trazia como tema de abertura a música "Santa Fé". A partir dos anos 1990, já consagrado, Moraes continuou sob os holofotes alternando discos de estúdio e homenagens ao próprio legado. A gravação do "Acústico MTV", lançado em 1995, e registros como "50 Carnavais" (1997), "Meu Nome é Brasil" (2003) renderam mais sucesso.


Já em 1997, Moraes reuniu o grupo Novos Baianos para lançar o disco ao vivo “Infinito Circular”, com canções dos discos anteriores e algumas inéditas. Em 2007, ele publicou o livro A História dos Novos Baianos e Outros Versos, escrito em linguagem de cordel, que conta a história dos Novos Baianos. Em 2017, ele lançou outro livro, o "Poeta Não Tem Idade", com cerca de 60 textos sobre homenagens a Luiz Gonzaga, Machado de Assis, Gilberto Gil e muitos outros.


Nos últimos anos, Moraes Moreira se envolveu em shows de reunião dos Novos Baianos e também de trabalhos solo. O artista também se dedicou a trabalhos com o filho Davi Moraes. No total, ele lançou mais de 60 discos entre a carreira solo, Novos Baianos, Trio Elétrico Dodô e Osmar, além da parceria com o guitarrista Pepeu Gomes.


No dia 17 de março deste ano ele fez a última postagem no Instagram falando sobre a quarentena que o mundo vive por causa da Covid-19 e apresentou um cordel sobre o tema, intitulado “Quarentena”, que começa com estes versos: “Eu temo o coronavirus / E zelo por minha vida / Mas tenho medo de tiros / Também de bala perdida, / A nossa fé é vacina / O professor que me ensina / Será minha própria lida”.

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