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João Gilberto, pai da Bossa Nova, morre aos 88 anos de idade


A música brasileira está em luto. O cantor e compositor baiano João Gilberto, um dos criadores e principal nome da Bossa Nova, morreu neste sábado, 6 de julho de 2019, aos 88 anos de idade, no Rio de Janeiro, informou seu filho João Marcelo nas redes sociais. “Meu pai morreu. Sua luta foi nobre, ele tentou manter a dignidade à luz da perda da independência. Agradeço minha família por estar aqui por ele", escreveu o filho do cantor. A informação também foi confirmada pela neta Sofia.


Filho do comerciante Juveniano Domingos de Oliveira e de Martinha do Prado Pereira de Oliveira, a Patu, João viveu em terras juazeirenses até 1942, aos 11 anos, quando seguiu para estudar em Aracaju. Na volta, a música já tinha arrebatado o estudante e ele fundou o primeiro grupo, Enamorados do Ritmo. Juazeiro ficou pequena.


Aos 18 anos, em Salvador, já trabalhava com carteira assinada na Rádio Sociedade da Bahia. Ainda seguia os mandamentos de Orlando Silva, tentado imitá-lo, quando o grupo vocal Garotos da Lua o chamou para gravar no Rio de Janeiro dois discos em 78 rotações.


A então capital do país fervia na segunda metade dos anos 50 e foi lá que João se estabeleceu aos 26 anos, em 1957. Sem muitos recursos, seguia a trilha de quem queria ser alguém com um violão debaixo do braço. Cantou para quem poderia fazer a diferença, como o cantor Tito Madi, mas teve mais sorte ao cair nas graças do produtor e também violonista Roberto Menescal.


Após um período recluso, dizem que de volta a Juazeiro, na Bahia, desenvolveu a batida de violão que se tornaria a maior característica da Bossa Nova. Bim Bom, uma das primeiras que apresentou aos círculos de artistas no Rio, já trazia o caminhão com a carroceria cheia. A levada uniforme deslocando acentos fortes para lugares incomuns, a harmonia abrindo picadas onde ainda ninguém havia passado, a mão que fazia acordes fazendo também percussão. E a voz. A voz de João deixava as tentativas da impostação e partia para o que fazia o trompetista Chet Baker quando cantava. Volume baixo e notas de longa duração, limpas, sem vibrato.


Era julho de 1958 quando Elizeth Cardoso apareceu com o disco Canção do Amor Demais, com músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Ao violão em duas das faixas, Chega de Saudade e Outra Vez, João Gilberto. Era a Bossa Nova. Estava transformada de forma definitiva a história da música brasileira.