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Jardim Botânico terá obras de requalificação


Localizado em São Marcos, o Jardim Botânico de Salvador, que em 160 mil metros de área abriga cerca de 61 mil espécies vegetais, vai passar por obras de requalificação. Conforme a ordem de serviço, assinada nesta segunda feira, 16 de setembro, as intervenções são inéditas e terão duração de 12 meses, incluindo a ampliação da estrutura física atual e melhoria do proteção do herbário existente no local, que é administrado pela Secretaria de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência (Secis).


O investimento é de quase R$ 8 milhões, proveniente de financiamento junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), através do Programa de Requalificação Urbana de Salvador (Proquali). A proposta é que o Jardim Botânico se torne uma das referências de área verde preservada no Brasil, se juntando a outras estruturas revitalizadas pela Prefeitura, como o Parque da Cidade, no Itaigara.


Com projeto elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e obras coordenadas pela Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), o Jardim Botânico ganhará novas edificações de caráter científico, voltadas ao estudo, manutenção e conservação da Mata Atlântica, conectados e acessados por uma trilha elevada em um percurso de 795 metros de extensão pela mata.


O equipamento ganhará também um edifício principal, com área total construída de 2.219,45 m², dividido em dois pavimentos, um subsolo e uma cobertura aberta a visitas. Além da ampliação do herbário, tornando-o um centro de referência na pesquisa da Mata Atlântica, com capacidade para acomodar um grande número de espécies catalogadas, o projeto de requalificação do Jardim Botânico de Salvador propõe outras intervenções, a exemplo da construção de um pavilhão de observação da natureza e viveiros.


O Jardim Botânico ainda terá espaços expositivos digitais voltados à educação ambiental, um auditório para 50 pessoas, que será conectado com um foyer e uma área semi-coberta para atividades em grupo. O Jardim Botânico de Salvador é uma das áreas da cidade a abrigar um espaço etnobotânico voltado para proteção e cultivo às espécies utilizadas em cultos afro-brasileiros, além de vegetais ameaçados de extinção.


Membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra (CMCN), Rita Santos contou que a reforma do Jardim Botânico mostra respeito com as religiões afros praticadas da cidade. “Fomos consultados e participamos da elaboração do projeto. Hoje, muitos terreiros de Salvador estão perdendo suas áreas de plantação. Vamos ter nossas plantas todas cultivadas aqui. Os terreiros que quiserem plantar vão poder vir, colher e replantar mudas. A gente hoje compra folhas na feira, mas não sabemos como o vegetal é manuseado lá. Para nós, a retirada das folhas tem todo um significado”, disse.