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Gamboa Nova celebra o Mês da Consciência Negra


Pelo 5º ano consecutivo, o Teatro Gamboa Nova vai celebrar o Mês da Consciência Negra com produções artísticas pautadas na expressividade e força da cultura baiana. O Novembro Negro no Gamboa Nova vai reunir, de quarta a domingo, atrações na música, teatro, dança e artes em geral. A Identidade Gráfica da programação é assinada pelo fotógrafo Lipe Costa, de Alagoinhas, dentro do projeto Se Mostra Interior, valorizando a estética negra através da proposta “Belezas Crespas”.


No CineGamboa será exibido o trailer de “Samba Junino – de Porta em Porta”, da Oba Cacauê Produções, que abre espaço para apresentar uma célula do documentário sobre o ritmo legítimo de Salvador. O mês também será da exposição “Pretas estão se Amando”, de Annie Ganzala, “Soma-Afrontamento”, do Coletivo João Ninguém (dia 01), das músicas de matriz africana da banda “Ofá” (dias 03, 10 e 17) e de Emillie Lapa e Elinaldo Nascimento em “Encontro de Orís” (06, 13, 20 e 27).


Nas artes cênicas, Isa Trigo apresentará “Me Calarei Para Você em Todas as Línguas da Terra”, as quintas e sextas (07 a 29), com mitos do imaginário baiano. Também haverá mais uma edição da “Mostra Etnografias Urbanas Subversivas”, em dois sábados (09 e 16), potencializando diversas linguagens.


O projeto Se Mostra Interior, da Funceb em parceria com o Teatro, traz a Salvador o espetáculo “Encarceradas”, do Grupo Recorte de Teatro, de Feita de Santana, apenas um fim de semana, 23 e 24, para falar do cárcere de mulheres, aproximando público e realidade.

Para fechar o mês, dia 30, a “Cia Plural cultural canta Lauro de Freitas Bahia”, num resgate das tradições da música negra da região. Confira mais detalhes no site www.teatrogamboanova.com.br.


PROGRAMAÇÃO


CineGamboa - Trailer Samba Junino - de Porta em Porta – Oba Cacauê Produções. Documentário integra as comemorações pelo mês da Igualdade Racial. Assinado pela cineasta Fabíola Aquino, que divide direção e roteiro com Dayane Sena, exalta o ritmo essencialmente soteropolitano, reconhecido em 2018 como Patrimônio Cultural e Imaterial de Salvador.


Para a promoção desta iniciativa, a Oba Cacauê Produções, em parceria com o CineGamboa, apresenta o trailer do documentário antes das apresentações do Novembro Negro 2019 do Teatro Gamboa Nova. A entrada está inclusa no ingresso da atração do dia, de quarta a domingo.


A sonoridade e formas de apresentação do Samba Junino, em cortejo pelas ruas dos bairros populares, influenciam manifestações culturais e resgatam tradições nordestinas durante os festejos, em um movimento de resistência e luta da cultura negra. O ritmo é oriundo dos bairros periféricos e com predominância da população negra, tendo inicio no final da década de 1970. Influenciou a formação da música baiana e contribuiu para dar visibilidade a artistas como Ninha, Tatau, Tonho Matéria, Xexéu, Márcio Vitor e os Irmãos Bafafé, entre outros, além da sonoridade marcante e letras melódicas ganharem as vozes de cantores como Daniela Mercury e Jorge Zarath.


Exposição - Pretas estão se Amando – Annie Ganzala, até 30/11- das 16h às 19h (qua a sab) e 15h às 17h (dom). Exposição gratuita entra em seu terceiro mês consecutivo, reforçando a importância das mulheres negras.


Mais um mês das aquarelas da artista em torno da comunidade negra, sua espiritualidade e as conexões de vida das mulheres da diáspora. As telas podem ser vistas na Galeria Jayme Fygura, foyer do Teatro, de quarta a sábado das 16h às 19h e domingos das 15h às 17h.


Nascida em Salvador e encontrando sua expressão em aquarelas e grafites, os temas de seus trabalhos se movem destacando mulheres lésbicas negras, na diáspora desde o Sul global. “Essas obras são dedicadas a todas que tiveram que romper muitas barreiras internas e externas colocadas pelo patriarcado, igreja e família, para viver o amor e, principalmente, si mesmas”, reforça a artista, que é historiadora por formação e se dedica ao estudo e vivências relacionadas a gênero na Bahia.


Teatro - Soma-Afrontamento – Coletivo João Ninguém. Depois de duas temporadas no Gamboa Nova, o grupo retorna em única apresentação, 01/11/2019 (sexta), 19h, com ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).


“Soma-afrontamento” é um espetáculo multissensorial e poético, que aborda o extermínio do jovem negro, a liberdade de expressão e a democracia. O público soteropolitano poderá acompanhar mais uma vez o Coletivo João Ninguém nesta experiência, que abre as comemorações do Novembro Negro do Teatro Gamboa Nova.


Segundo Ailson Leite, que assina a direção, temas como filosofia, história, política, racismo, violência contra a mulher, machismo, homofobia e empoderamento também fazem parte do espetáculo. Na visão do coletivo, os telefones celulares, a TV e a mídia de um modo geral perpetuam um deslumbre pelo sucesso e influem nas questões comportamentais. “São valores pré-estabelecidos na sociedade, nos jovens, o que vemos e o que não queremos ver e como podemos sair dessa caverna, despertar”, completa o diretor.


O Coletivo João Ninguém é um grupo informal sem fins lucrativos que atua nas áreas de teatro e hip hop. Surgiu em 2006, idealizado pelo o ator e rapper Ailson Leite, composto por artistas independentes unidos pela utilização da arte como ferramenta de inclusão social, criando oportunidades e ajudando a profissionalizar artistas.


Música - Banda Ofá no Gamboa Música Pôr-do-Sol. O show acontece nos dias 03, 10 e 17 (domingos), 17h, reunindo músicas repletas de referências da ancestralidade africana. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).


A Banda Ofá apresenta seu show homônimo no Teatro Gamboa Nova, em três domingos do projeto Novembro Negro 2019 para que o público possa desfrutar da linda vista do palco para a Baía de Todos os Santos, ao som de ritmos de matriz africana.


O trabalho busca refletir sobre as tentativas de apagamento da cultura dos índios e africanos no Brasil, tendo a ancestralidade como base, seus aspectos rítmicos e poéticos, para através do som, do corpo e da palavra, levar até o público mensagens sobre identidade cultural, amor, autoconhecimento e resistência.


Nascida em 2015, a Ofá é uma banda soteropolitana formada por Luan Tavares (violão e voz), Paulo Pitta (saxofone e sintetizador) e João Paulo Rangel (Bateria). A sonoridade do grupo é norteada por quatro pilares essenciais: a música de matriz africana, a poesia, o rock progressivo e o freejazz.


A apresentação conta ainda com as participações especiais de Alana Gabriela, integrante do programa Quabales e da Rumpilezzinho, e Dainho Xekerê, idealizador dos projetos Mãos no Couro e Orquestra de Berimbaus Afinados.


Música - Encontro de Orís – Emillie Lapa e Elinaldo Nascimento, todas as quartas-feiras do Novembro Negro, dias 06, 13, 20 e 27 (quartas), 19h, com ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).


A cantora, percussionista e compositora Emillie Lapa e o músico e também compositor Elinaldo Nascimento (Elinas), unem suas trajetórias no show “Encontro de Orís”, que perpassa pelo canto e a relação com os instrumentos percussivos e melódicos-harmônicos, numa experiência que celebra a ancestralidade.


As criações retratam o sagrado, além de temáticas negras contemporâneas e políticas de afirmação identitária, fazendo uma ponte entre a África - terra mãe - e o Brasil. Além dessas similaridades entre os dois, os seus trajetos são demarcados por outra linguagem artística: o teatro, que assim como a música, impulsiona o fazer criativo desses múltiplos artistas, que celebram suas histórias de resistência.


Para somar musicalmente nessa contação, a presença da baixista cachoeirana Riane Mascarenhas e do percussionista soteropolitano Dainho Xequerê, artistas comprometidos com a cena musical baiana.


Teatro - Me Calarei Para Você em Todas as Línguas da Terra, de Isa Trigo, dias 07, 08, 14, 15, 21, 22, 28 e 29 (quintas e sextas), 19h, ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).


A autora e atriz apresenta o resultado de sua residência no Instituto Sacatar. Com texto, roteiro e interpretação de Isa Trigo, o espetáculo “Me Calarei Para Você em Todas as Línguas da Terra”, parte do projeto Protocolo das Águas, composto também por escrita teatral, minidocumentário e livro digital. Trata do mito das sereias, em especial das lendas e histórias trazidas a partir da ilha de Itaparica. Esse mito, que atravessa o imaginário baiano e feminino, trazendo a condição da mulher que intui o seu poder, a partir do atravessamento de imagens.


O texto do espetáculo foi produzido no Programa de Residência Artística do Instituto Sacatar, realizado em 2018, para o qual a artista foi convidada. A pesquisa que dá origem a texto e ao espetáculo foi realizada em Itaparica, no contato com a natureza, as lendas, a observação das marés e seus elementos, o cotidiano da região. Além disso, a experiência permitiu conversas com a comunidade local e do candomblé da Ilha e de Salvador. Ao final do programa, durante o Open Studio, Isa apresentou para a comunidade a performance “Na Casa da Sereia”, uma espécie de embrião para o que agora se desenvolve como espetáculo.


Dança e Peformance - 2ª Mostra Etnografias Urbanas Subversivas – Núcleo EUs, dias 09 e 16 (sábados), 17h e 19h, ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). A mostra reúne trabalhos autorais de dança em interface com outras linguagens que abordam a temática negra e LGBTQ+.


A 2ª Mostra Etnografias Urbanas Subversivas traz para o palco do Teatro Gamboa Nova, dentro do Novembro Negro 2019, um encontro e interação de artistas criadores que trabalham temas da cultura negra e LGBTQ+, suas intersecções, desenvolvendo uma rede de colaboração que constrói visibilidade e circulação dessas obras e artistas.


O evento aponta para questões de afetividade, ancestralidade e arte periférica, problematizando classe, raça e gênero, no ambiente de produção artística da dança. Os trabalhos trazem como característica comum o mergulho nas experiências de ser em comunidades periféricas, se apropriando do termo "etnografia" para apontar a generalidade destas experiências, em sua maioria violentas e traumáticas, nas tentativas de circulação nos centros urbanos. Ao mesmo tempo sugere subverter esta ordem com estratégias de agrupamento.


Se Mostra Interior - Encarceradas – Grupo Recorte de Teatro, dia 23 (sábado), 16h e 19h, e 24 (domingo), 17h, ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). O espetáculo integra o projeto Se Mostra Interior, da Funceb em parceria com o Gamboa Nova.


Representante de Feira de Santana, “Encarceradas” será apresentado nas comemorações do Novembro Negro do Teatro Gamboa Nova, além de integrar o projeto Se Mostra Interior, que valoriza a produção cultural do estado, com patrocínio da Funceb – Fundação Cultural do Estado da Bahia.


A peça retrata o esquecido ambiente carcerário feminino, de forma realista e espontânea, quebrando a quarta parede e convidando o público a estar junto com o elenco no momento da atuação, entre risos, drama e muita emoção. “Numa sociedade machista onde a mulher busca direitos e ainda é oprimida, não é valorizada, existe aquelas esquecidas e abandonadas, as presas. Muitas histórias por trás das grades”, declara Fernando Souza, ator, historiador e diretor do espetáculo.


Segundo ele, é uma montagem que emociona, faz rir, leva o público a refletir junto com o elenco e dá uma ‘sacodida’ necessária na sociedade que vive a fingir que aquelas mulheres presas nem existem. “O que as levou ao crime? Como é o dia a dia? Encarceradas fala de abandono, da dor da saudade, da criminalidade e conta diversas histórias que muitos nem imaginam existir”, destaca.


Música – A Cia Plural cultural canta Lauro de Freitas Bahia, dia 30 (sábado), 19h, ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). O show é um resgate das manifestações culturais da antiga Freguesia de Santo Amaro do Ipitanga, hoje município de Lauro de Freitas, mantendo as tradições e usando também uma roupagem moderna. Será apresentação única, encerrando o Novembro Negro do Teatro Gamboa Nova.


Para o grupo, estar em um espaço cultural da capital representa uma ampliação da possibilidade de difusão e registro da cultura de Lauro de Freitas, retransmitindo a rica herança de seus mestres populares. “Queremos provocar nas pessoas o desejo de conhecer a cultura popular e as belas paisagens do município”, explica o idealizador Pedro Paulo Prata, que é o produtor musical e pesquisador da cultura baiana.


Prata formou a banda Flor da Manhã e passou por renomados grupos, entre eles a Banda Top 69 e Papa-Léguas. Tocou em muitos carnavais e micaretas, onde ampliou seu conhecimento prático-musical. No inicio do movimento Axé-Músic, participou da Banda Tomalira e se apresentou em diversos estados do Brasil. Já no inicio dos anos 2000, começou a se dedicar ao repertório MPB, se apresentando em diversos hotéis e bares da capital baiana. De acordo com ele a base do processo criativo da Cia Cultural Plural é a composição também de músicas com mensagens diretas e de fácil assimilação e síntese, resultado de suas pesquisas como criador de jingles publicitários.


*Fotos de divulgação

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