• Cidade da Bahia

“Entrelinhas e afetos” marca a estreia de Joana D’Arck na literatura



Uma colcha de retalhos, ou de fuxico, com cada pedaço e textura de tecido nos trazendo uma lembrança tão preciosa quanto a peça inteira. É esta sensação que nos vem ao ler as primeiras páginas do livro de estreia da jornalista Joana D’Arck Cunha. Com pré-venda já iniciada para os amigos, a obra tem lançamento previsto para março, na Biblioteca Juracy Magalhães Jr, no Rio Vermelho, em data ainda a ser definida, assim como a opção por um evento presencial ou virtual através dos canais da Fundação Pedro Calmon. Como o título sugere, “Entrelinhas e afetos” é um projeto carinhoso que reúne textos que compõem, pedaço a pedaço, uma história familiar, que tem como personagem central a mãe da autora, D. Elzinha.


Com tanto afeto envolvido é quase natural que o projeto reúna a família e amigos próximos de “Joaninha”. É o caso da filha, Ana Carolina Soares, responsável pela edição junto com Franciel Cruz, e do marido Sinval Soares, que cuidou da revisão. Também são dois colegas jornalistas e companheiros de estrada que ajudam a contextualizar a obra, sendo a apresentação de Mônica Bichara e o prefácio do também escritor e membro da Academia de Letras da Bahia Emiliano José.


“Joana D´Arck, apesar de iniciante na carreira literária, mostra que tem uma estrada bem pavimentada pela frente. Surpreende a facilidade com que ela tece os fios que simbolizam a vida de Elza. E eles são muitos. Dizer que era uma mulher à frente do seu tempo não é repetir frase feita. É traduzir a história dessa mulher que, apesar de medrosa para umas coisas, nunca fez corpo mole nem titubeou diante dos apertos próprios de uma família pobre e numerosa”, escreve Mônica Bichara.


“Quem se debruçar sobre o escrito, descobrirá Sansão e Dalila, escrúpulos de moça apaixonada recusando o pretendente, o pavor dos mortos com os pés sendo puxados nas madrugadas, nome Joana para pagar promessa e ganhando nome de santa porque as outras seis filhas tinham nomes compostos, nome sem pecado, honrado por ela desde os primeiros dias, e que ninguém ouse desmentir. Cabelos, meios de vida durante tanto tempo, bobes, cachos, secador elétrico, filha partindo pra capital, marido esbravejando, a mulher convencendo, outras filhas seguindo atrás, e um duelo à luz do sol com um corpo de coronel no chão e o jornalista de honra mantida... Chega. Tarefa agora é das leitoras, primeiro elas porque um livro feminino, por quem fez e pelas protagonistas. Depois dos leitores, os homens também desfilam, e podem ler, devem”, antecipa Emiliano José.

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo