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Elevador do Taboão é reaberto após seis décadas de abandono



Desde o início da ocupação de Salvador, os viventes se depararam com o desafio de vencer as ladeiras para levar os itens do porto, na Cidade Baixa, até a parte residencial e administrativa, na chamada Cidade Alta. Era um esforço que ficou registrado para a posteridade na denominação da Ladeira da Preguiça. Uma parte desta história com mais de três séculos volta a ser lembrada, a restauração e reinauguração, na quinta-feira, 30 de setembro de 2021, do Elevador do Taboão.


Após mais de seis décadas de desativação, o Elevador do Taboão volta a fazer a ligação entre o Pelourinho e o Comércio. O equipamento passou por obras de revitalização promovidas pela Prefeitura e, agora, se junta a outras opções de transporte disponíveis a soteropolitanos e turistas que se deslocam entre as cidades Baixa e Alta, como o Elevador Lacerda, o mais famoso, e os planos inclinados Liberdade/Calçada, Gonçalves e Pilar.


Embora acreditassem que morros e montanhas fossem obras de Deus, os religiosos que desembarcaram por estas bandas da Cidade do Salvador tinham para si que vencer as ladeiras da cidade não era uma tarefa nada divina. Ao contrário, era uma tarefa muito pesada para os homens. Não por acaso, os religiosos foram os primeiros a buscar alternativas, sendo a mais conhecida delas o Guindaste dos Padres, feito pelos jesuítas e descrito em 1610 como um “elevador engenhoso” pelo viajante francês Pyrard de Laval.


Outras ordens não ficariam atrás, sendo também do período colonial os guindastes dos beneditinos (localizado na Praia da Preguiça e demolido em 1813), dos carmelitas (ligando o Pilar ao Carmo) e o dos terésios (que ia das Pedreiras até o fundo de uma ruela que saía na Rua do Sodré). Conforme registros, no final do século XVII existiam em Salvador pelo menos seis ascensores deste tipo em funcionamento.



Durante a inauguração do Elevador do Taboão, com as bênçãos do padre Renato Minho, da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar, o prefeito Bruno Reis destacou que em nenhum outro momento houve uma transformação tão grande como a que vem sendo feita no Centro Histórico atualmente, com a realização de mais de 40 iniciativas. Dentre elas a recuperação do Elevador do Taboão, que já estava em ruínas. Também compareceram ao ato a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, Tânia Scofield; o secretário de Mobilidade (Semob), Fabrizzio Muller; o titular da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), Luiz Carlos de Souza; e o superintendente do Iphan, Bruno Tavares, entre outras autoridades.


A intervenção contou com investimento de R$5,4 milhões, provenientes de recursos municipais. A expectativa é que, com a reativação, o ascensor se torne novo cartão postal da cidade, contribuindo não apenas para a mobilidade dos pedestres como, também, para impulsionar o turismo e economia local. O projeto de recuperação do Elevador do Taboão foi cedido para a Prefeitura pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na Bahia (Iphan-BA). Recentemente, o Executivo municipal concluiu outros dois projetos cedidos pela entidade federal, com recursos próprios: as obras de requalificação dos Arcos da Ladeira da Conceição e da Muralha do Frontispício de Salvador.


Havia forte apelo dos moradores e comerciantes para que o Elevador do Taboão fosse revitalizado. A intervenção contemplou a restauração integral da estrutura e das duas estações de acesso nos níveis inferior e superior. Envolveu, ainda, a modernização das instalações, buscando adequar a construção às normas técnicas vigentes, inclusive de acessibilidade universal.


Além disso, o elevador ganhou áreas com mesas e sanitários. Já as duas cabines, com capacidade para 13 pessoas cada, foram climatizadas e tiveram aspecto completamente moderno com materiais e coloração que não desvirtuam da estética da estrutura original, integrando-se perfeitamente ao resgate do uso original do equipamento.


O equipamento começou a operar nesta sexta-feira (1º), e funciona de segunda a sexta-feira, gratuito por período indeterminado. A capacidade é de até 14 pessoas por viagem, mas devido à pandemia, serão transportadas, no máximo, oito pessoas por viagem.

Inaugurado em 19 de janeiro de 1896 pela companhia Linha Circular de Carris da Bahia, o Elevador do Taboão, assim como o Lacerda, foi símbolo da modernização e marco da arquitetura em ferro na Bahia no final do século XIX. O equipamento foi inserido em um projeto de melhorias urbanas em Salvador durante o segundo mandato de Antônio Gonçalves Martins (entre 1868 a 1871), o Barão de São Lourenço.


De acordo com registros divulgados pelo Iphan, os dois ascensores não significaram apenas uma simples importação tecnológica – o maquinário foi construído na Inglaterra, na oficina de W.G. Armstrong de New Castle, a mesma que forneceu para o Elevador Lacerda -, mas uma adaptação de concepções de transportes verticais prediais europeus às condições geográficas baianas, assim como uma inovação no modelo urbano encravado na rocha.

Além disso, a engenharia e arquitetura que compõem o ascensor do Taboão marcaram época. As suas torres foram construídas com réguas de ferro chumbado cruzadas, com desenhos simétricos em forma de curva ou parábola.


O Elevador Taboão chegou a ser conhecido na cidade como “A Balança” e teve grande importância, ligando locais de moradia e de trabalho, oferecendo maior rapidez e facilitando a circulação da população. Funcionava diariamente, das 6h às 11h, custando 100 réis a passagem. As operações duraram 65 anos até que a desativação ocorresse, em 1959, num processo que deu início à degradação do ascensor.


ASCENSORES DE SALVADOR

Elevador Lacerda

Elevador do Taboão

Plano Inclinado Liberdade/Calçada

Plano Inclinado Gonçalves

Plano Inclinado Pilar


*Foto de Igor Santos/Secom

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