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Domingo é dia de saudar Iemanjá


A Festa de Iemanjá realizada no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, no dia 2 de fevereiro, é a maior homenagem no Brasil a este orixá da matriz religiosa afro-brasileira. A celebração da “rainha das águas”, realizada no dia 2 de janeiro no Rio de Janeiro (RJ) e em 8 de dezembro em Praia Grande (SP), ganhou destaque principalmente graças à devoção dos pescadores e suas famílias, que, através de oferendas à orixá, buscavam assegurar proteção no mar e boas pescarias. O ritual hoje atrai milhares de pessoas de todo o mundo, que fazem questão de entrar na fila para entregar “presentes” para a mãe das águas, principalmente flores, perfumes e objetos de adorno, pois Iemanjá é vaidosa. Em retribuição, pedem principalmente que o ano seja de fartura, realizações e sucesso.


A celebração de Iemanjá é considerada a mais antiga a um orixá já documentada no Brasil, datando os primeiros registros de 1896. No Rio Vermelho, a celebração começou em 1923, quando, diante do fraco rendimento das pescas, um grupo de pescadores resolveu oferecer presentes à padroeira deles. Conta-se que a oferenda deu resultado e os peixes voltaram a aparecer. A partir de então, a celebração passou a ser realizada todos os anos.


O culto a Iemanjá foi trazido ao Brasil no final do Século XVIII até quase metade do século seguinte, principalmente pelos africanos de origem iorubá, uma das maiores etnias do continente africano, concentrada especialmente na Nigéria. Na África, Iemanjá era uma divindade das águas doces associada à fertilidade das mulheres, à maternidade e principalmente ao processo de continuidade da vida. No Brasil, pesquisadores apontam que Iemanjá, assim como outros orixás ligados à maternidade, como Oxum e Nanã, foi associada às sereias do paganismo europeu, às diferentes nominações de Nossa Senhora, e às iaras ameríndias (variante das sereias). Mesmo se considerada o orixá do mar, Iemanjá continua a ser saudada no candomblé com a expressão africana “odoiyá”, que significa “mãe do rio”. Além disso, no Brasil, foram atribuídas à Iemanjá duas características notórias: a de rainha que controla as marés, das quais depende a vida do pescador; e a de personagem sedutor, que atrai o pescador para amá-lo ou matá-lo.


A festa começa nas casas de candomblé, onde são preparadas algumas das oferendas, inclusive a dos pescadores da Colônia do Rio Vermelho. Os festejos têm início logo após a zero hora do dia 2 de fevereiro, quando são feitas as primeiras ofertas a Oxum, orixá das águas doces, em locais como o Dique do Tororó e as lagoas de Pituaçu e do Abaeté. Esse ritual é pouco visível para a população, sendomais acompanhado por pescadores e adeptos do candomblé. Em seguida, por volta das 5h, há uma queima de fogos anunciando o início dos festejos a Iemanjá na praia do Rio Vermelho.


Durante a celebração, os devotos, vestidos de branco e azul, cores de Iemanjá, levam suas oferendas como forma de agradecimento ou então para fazerem pedidos e promessas. Alguns entregam seus presentes pessoalmente, deitando-os no mar perto das areias ou pedras da praia, mas a maioria prefere deixá-los na Casa do Peso, na Colônia de Pescadores, onde são distribuídos em diversos balaios. Os presentes podem ser deixados até 15h30, pois a partir das 16h os pescadores dão início à procissão marítima para a entrega das oferendas. São aproximadamente 300 embarcações que levam aproximadamente 700 balaios repletos de presentes para o alto-mar, em especial a oferenda dos pescadores, ao som de atabaques (instrumento musical do candomblé, semelhante a um tambor) e fogos de artifício.


Os presentes são deixados a aproximadamente 6 km da costa, no ponto chamado Buraquinho de Iaiá. Dizem que, se os presentes afundam, a rainha do mar aceitou a oferenda, mas se permanecem na superfície ou voltam à praia, são recusados. Por causa da quantidade de objetos diversos oferecidos e levados ao mar, como espelhos, velas e até bonecas, ambientalistas passaram nos últimos anos a alertar contra a poluição. Além de alguns serem de difícil decomposição, muitos destes objetos podem ser ingeridos por animais marinhos, causando sua morte. Por isto, atualmente, são evitados presentes de plásticos e vidros, sendo recomendado flores ou objetos feitos a partir de materiais naturais.


*Foto de Amanda Oliveira/GovBA