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Corrida dos pelados pega mal na Câmara

Marcada para o dia 6 de setembro, a Peladatona prevê uma corrida de “sem roupas” entre o Cristo e o Farol da Barra, mas recebe uma moção de repúdio assinada por 20 vereadores soteropolitanos.


Pode até não acontecer e corre o risco de entrar para o anedotário da Cidade da Bahia como uma polêmica que foi sem ter sido, mas mereceu a atenção deste órgão sério aqui diante das muitas reações, que acabaram chamando tanta ou mais atenção do que o próprio fato anunciado. É o caso da propalada 1ª Peladatona de Salvador, marcada para largar, com todos largados de roupas, às 23h do dia 6 de setembro de 2019, fazendo o percurso do Cristo até o Farol, na Barra. Para uns mera abundância de liberdade, para outros simplesmente o cumulo, falta de respeito e excesso de "respinto", como definiu um observador que pediu para não ser identificado.


Antes das contrições finais, vamos ceder a uma questão de ordem. Ou seja, as indispensáveis preliminares. O assunto entrou de fininho nas redes sociais, mas logo cresceu, ganhou destaque e mereceu até reportagens com o principal organizador, o cantor e motorista de aplicativo baiano Valter das Virgens, de 34 anos.


Conforme Virgens, o organizador, a ideia da Peladatona surgiu durante conversas entre participantes de grupos de pessoas liberais e naturistas no WhatsApp. O pessoal cobrava a organização de uma grande confraternização e Valter decidiu inovar no encontro.

Fã do naturismo e nascido no interior da Bahia, em Irará, Virgens, o organizador, conta como tudo começou. “Desde pequeno sempre gostei de ficar pelado. Em casa, fico sem camisa e sem cueca. No WhatsApp, eu participo de alguns grupos com pessoas liberais, onde sempre rolam umas festas. Então, esses meus colegas ficavam me perguntando quando eu iria dar a minha festa. Falei que não faria uma festa e sim uma corrida, mas uma corrida com pessoas peladas”.


Segundo ele, a única regra para participar da corrida é ser liberal e não ter medo da nudez em público. Será permitido nudez explícita, tapa-sexo, máscaras e pinturas, mas os participantes precisam ser maiores de 18 anos. Também será cobrada uma taxa de R$ 20 para homens e R$ 10 para mulheres, com pagamento por meio de transferência bancária. Parte do valor arrecadado com as inscrições será doado para a Creche Beu Machado, localizada no bairro Boca do Rio. “Um dos meus objetivos com essa corrida é derrubar esse tabu da nudez, que ainda é muito forte na nossa sociedade atual. O corpo nu é algo natural. Só vai quem se sentir à vontade e quiser participar”, ressaltou Virgens, o organizador.



Tudo perfeito. Só que não. Bastou a notícia da corrida dos pelados cair nas redes para as reações contrárias começarem. As mais fortes partiram de grupos religiosos, mas o assunto penetrou também – céus – os anais da Câmara de Vereadores de Salvador. Classificando a Peladatona como “um total desrespeito à população soteropolitana e os turistas”, a vereadora Lorena Brandão (PSC) protocolou uma moção de repúdio, assinada por outros 19 edis. Segundo o documento, o evento incorre no crime de ato obsceno, previsto no Artigo 233 do Código Penal Brasileiro.


Com a divulgação impulsionada pelos críticos, o evento tomou grandes proporções, surpreendendo Virgens, o organizador. Ele está buscando patrocinadores e apoiadores para viabilizar a premiação e ajudar na organização, além de dar uma mão a mais na parte burocrática do evento. “Eu tenho até 15 dias antes da corrida para informar à Prefeitura. Para termos mais força para fazer essa corrida, precisamos de patrocínios e apoiadores”, revelou, acrescentando que a ideia é premiar primeiro, segundo e terceiro colocados.


Somente o futuro poderá mostrar se as reações morais e a própria burocracia municipal poderão impedir a corrida dos pelados. Já o organizador, literalmente sem nada a esconder, aguarda adesões e está pronto a defender o seu ponto de vista. Caso o leitor tenha interesse em participar ou apoiar, mais informações sobre a inscrição e detalhes do evento podem ser obtidos pelo telefone (71) 98769-5888.