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Concerto celebra 60 anos do Museu de Arte Sacra


Inaugurado em 1959, o Museu de Arte Sacra (MAS), administrado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), completa 60 anos neste sábado, 10 de agosto. Para celebrar a data, será realizado na sexta feira, 9, 19h, na Capela do Museu, um concerto da Orquestra Sinfônica e Madrigal da Ufba, com regência do maestro José Maurício Brandão.


O MAS/Ufba é reconhecido como um dos mais importantes museus no gênero nas Américas , não somente pela sua rara e preciosa coleção de arte sacra cristã, mas também por ela estar abrigada em um dos mais destacados conjuntos arquitetônicos seiscentista brasileiro. Instalado no antigo Convento de Santa Teresa, o Museu de Arte Sacra foi inaugurado em 10 de agosto de 1959, pelo então Reitor da Universidade Federal da Bahia Edgar Santos.


Conforme convênio entre a Ufba e a Arquidiocese de São Salvador, a instituição de ensino foi responsável pela restauração do conjunto arquitetônico, tendo assessoria e supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Desta forma, o Museu de Arte Sacra nasceu também como o primeiro museu universitário da Bahia. Desde a criação, sua proposta esteve voltada não apenas à valorização patrimonial, mas a disseminação do conhecimento à sociedade, através de cursos e pesquisas, servindo como instrumento de investigação científica.


O conjunto estava praticamente em ruínas 1958, quando foi realizada a restauração. Além da vista para a Baía de Todos os Santos, os prédios possuem elementos únicos. O interior do templo, de nave única, é coberto por abóbadas reforçadas com arcos de pedra de cantaria; o coro fica situado sobre abóbadas de arestas e um arco quase plano, típico na arquitetura seiscentista luso-brasileira. Os confessionários foram construídos na própria edificação para permitir que as confissões fossem realizadas sem que os padres saíssem de sua clausura. Além da igreja, sacristia, coro, capela interior, refeitório, sala de capítulo e biblioteca, o conjunto dispõe de 16 salões, 12 salas, dez celas, longos corredores e galerias e duas escadarias de pedra com painéis de azulejos do Século XVII nas paredes. A área total do conjunto é de 5 261 metros quadrados, com cem portas e 146 janelas.


Parte das peças que integram o acervo do Museu de Arte Sacra são de propriedade da Arquidiocese de São Salvador, do Mosteiro de São Bento, da Irmandade do SS. Sacramento do Pilar, do Convento dos Perdões e de diversas igrejas, além da coleção Abelardo Rodrigues. O museu mantém exposição permanente do seu acervo, que abrange os séculos XVI, XVII, XVIII e parte do Século XIX. O museu funciona de segunda a sexta feira, das 11h às 17h. Telefone: (71) 3283-5600.


História


No Século XVII, seis religiosos da Ordem dos Carmelitas Descalços chegaram à Bahia (Salvador) como escala de uma viagem a Angola, onde, por ordem do rei de Portugal, deveriam fundar um convento. Por falta de embarcação, fato frequente na época, foram obrigados a permanecer em Salvador por oito meses. Com dificuldade para encontrar instalações adequadas, tiveram a ideia de fundar na promissora capital da colônia portuguesa o Convento de Santa Teresa. Para tanto, obtiveram autorização (Carta Régia) em 25 de junho de 1665.


Os religiosos eram frei José do Espírito Santo, prior, e seus conventuais frei Manoel de Santo Alberto, frei Jerônimo de Santo Alberto, frei João das Chagas, e os irmãos leigos Frei Francisco da Trindade e Antônio da Apresentação. Pouco se sabe sobre a construção do edifício seiscentista, que foi comparado com o convento dos Remédios de Évora da mesma Ordem. Uma hipótese levantada por Dom Clemente da Silva Nigra, dirigente do Museu no período de sua restauração (1958-1959), foi de que o frei Macário de São João provavelmente tenha sido o seu construtor.


Por volta de 1686, as obras do convento foram concluídas com solene ato religioso na nova igreja (ainda inacabada), que contou com a presença de autoridades políticas e eclesiásticas, e do Marquês das Minas, então governador-geral da colônia. Concluída em 1697, foi então inaugurada a igreja de Santa Teresa, ocasião em que a imagem de Nossa Senhora do Monte do Carmo foi para lá transferida. Outra imagem doada ao convento, vinda de Lisboa, foi a de Nossa Senhora da Piedade, na gestão do Frei Manuel da Madre de Deus, em 1706. No período de administração do prior frei Diogo de Santo Tomás de Aquino (1737-1739) foram instalados os azulejos que adornam a igreja e construído o lavabo de pedra existente na sacristia.


O final do Século XVIII foi marcado por manifestações populares emancipacionistas que influenciaram os rumos da história do Convento de Santa Teresa. Desde a sua ocupação pelos soldados portugueses do General Madeira e depois pelos 708 homens do Exército Libertador, quando a Câmara da cidade manifestou sua insatisfação com os "terésios", até a "Revolução Federalista" de 1833, que pretendeu abolir a Ordem Regular de Santa Teresa.


Com o Convento praticamente desabitado durante anos e o Seminário Arquiepiscopal com instalações precárias, o presidente da província Francisco de Sousa Paraíso e o arcebispo Romualdo Antônio de Seixas autorizaram a transferência do seminário para lá. Em 1856, Dom Romualdo passou a administração para os padres lazaristas, que por sua vez transmitiram aos padres seculares. Os seculares ocuparam o convento por mais de 20 anos, devolvendo mais uma vez a direção para os lazaristas em 1888. As administrações dos lazaristas descaracterizaram o monumento com as muitas reformas e ampliações. Em 1953, o seminário foi transferido para outra área (São Gonçalo) deixando o convento em péssimo estado de conservação até a sua restauração cinco anos depois.