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Carnaval 2020 marcará os 70 anos do trio elétrico


O próximo Carnaval de Salvador, em 2020, incluirá o marco especial dos 70 anos da invenção do trio elétrico. Mais do que a “axé music”, termo inicialmente irônico criado pelo jornalista Hagamenon Brito, o trio elétrico marcou o início da popularização dos artistas baianos. Antes dele, a mobilidade estava restrita a grupos de percussão e instrumentos acústicos. Já os palcos fixos mantinham a folia quase sempre confinada a clubes. A junção de palco, rodas e outra novidade – a captação e amplificação elétrica de instrumentos – criaria um sucesso imediato. E nunca mais o Carnaval seria o mesmo.


Era 1950, ano de fatos marcantes para o Brasil, como a derrota na final da Copa do Mundo de Futebol em pleno Maracanã, no Rio, a eleição do presidente Getúlio Vargas e a inauguração da primeira emissora de TV do país, a Tupi. Antes de tais fatos acontecerem, dois amigos músicos e amantes do Carnaval, Adolfo Antônio do Nascimento e Osmar Alvares Macedo (Osmar) tinham acabado de resolver o problema de microfonia na captação do som dos instrumentos acústicos para a ampliação por autofalantes (leia a crônica A grande invenção). Fizeram a captação direta das cordas, como nas guitarras atuais, e resolveram apresentar a novidade na folia. Para levar o ampliador ligado à bateria e sustentar um par de autofalantes, adaptaram um carro Ford 1929.

Nos dias que antecederam o Carnaval, os dois pintaram vários círculos coloridos como se fossem confetes no veículo e colocaram duas placas, no formato de violão, com a inscrição “Dupla Elétrica”. Coube a Adolfo, ou “Dodô”, fazer uma adaptação para usar a bateria de automóvel para alimentar amplificador e autofalantes.


No domingo de Carnaval de 1950 eles subiram a Ladeira da Montanha em direção à Praça Castro Alves e Rua Chile, na capital baiana. Por volta das 16h, arrastaram milhares de pessoas. Dodô e Osmar, em cima da fóbica, tocaram versões instrumentais de músicas conhecidas e adaptações do frevo pernambucano, como “Vassourinhas”.


No ano seguinte, fizeram aperfeiçoamentos e incluíram mais um membro, Temístocles Aragão, formando assim, em 1951, o trio elétrico. O sucesso foi tanto que, em 1952, uma empresa de refrigerantes colocou um caminhão decorado à disposição dos músicos, inaugurando o formato consagrado por todos os carnavais até hoje.


Os trios foram se modernizando e ampliando em tamanho. Em torno deles surgiram blocos identificados por camisões coloridos, as mortalhas. Em 1969, a canção “Atrás do trio elétrico”, de Caetano Veloso, divulgou em todo o Brasil o fenômeno até então restrito. Seguiu-se a profissionalização, sendo o Trio Tapajós transformado numa empresa, em 1976. No ano 1978, Moraes Moreira levou o cantor para o trio, com a canção "Assim Pintou Moçambique", já que, até então os trios eram exclusivamente instrumentais.


Tem início uma nova fase do Carnaval Baiano, e do próprio trio, renovado com a presença vocal, na figura de Moraes, que apresenta sucessos cantados pela primeira vez no “palco móvel” dos trios, como “Varre, Varre Vassourinha”, homenagem ao clube recifense que deu início a tudo.


A mudança significativa seguinte seria a substituição dos autofalantes com som metálico por caixas de som cada vez melhores, dando mais qualidade na reprodução da voz dos intérpretes. Estava aberto o caminho para o sucesso de muitos cantores, que, com a criação da gravadora regional WR, de Wesley Rangel, e a popularização da “axé music”, conquistariam todo o país.


*Fotos com Osmar Macedo e a antiga “fóbica” e o Trio Tapajós

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