• Cidade da Bahia

Brasil perde Martha Rocha, sua eterna miss



Provavelmente a miss mais conhecida do Brasil, documentadamente a primeira delas, para muitos vencedora moral do concurso Miss Universo, a baiana de Salvador Maria Martha Hacker Rocha, ou simplesmente Martha Rocha, morreu neste sábado, 4 de julgo, em Niterói (RJ), aos 83 anos de idade. Diz a história corrente que os jurados teriam deixado de dar o título mundial porque a candidata dos Estados Unidos, que venceu, tinha duas polegadas a menos. O assunto se tornou popular no Brasil na época e virou até marchinha de Carnaval.


Maria Rocha nasceu no dia 19 de setembro de 1936 . Era a sétima filha do casal Álvaro Rocha e Hansa Rocha. Aos 18 anos, participou do Miss Bahia, vencendo o concurso. Em 26 de junho de 1954, foi eleita no primeiro concurso Miss Brasil. Em julho de 1954, logo depois de chegar aos Estados Unidos, tornou-se a favorita nas casas de apostas para vencer o Miss Universo. No entanto, Martha ficou em 2º lugar, perdendo para a americana Miriam Stevenson.


De volta ao Brasil, tornou-se referência nacional de beleza e alcançou a fama. Casou-se com o banqueiro português Álvaro Piano e com ele teve dois filhos: Álvaro Luis e Carlos Alberto. Pouco depois, seu marido faleceu em um acidente de avião. Com 23 anos, em 1961 casou-se com Ronaldo Xavier de Lima e teve uma filha, a artista plástica Claudia Xavier de Lima.


Em 1995 perdeu todo dinheiro para o cunhado Jorge Piano. Sobre isto disse: "Em 1995, com a fuga de Jorge Piano com todo o meu dinheiro, superei meus problemas com suporte de meus dois filhos, duas amigas e o meu trabalho honrado, vendendo os quadros pintados por mim, e ganhando cachê para divulgar o concurso Miss Brasil". Em março de 2019, aos 82 anos de idade, revelou que, por questões financeiras, estava vivendo num lar de idosos.


Independente das dificuldades da vida, Martha Rocha atravessou décadas como um símbolo do glamour dos concursos de misses. Mais do que referência de beleza, encarnou o espírito vencedor que inspiraria não apenas outras misses, mas também ídolos das artes e dos esportes. Sua morte sem riqueza ou glamour talvez contenha uma última lição: a diferença entre o país que queremos e o que temos nunca se limitou a meras duas polegadas.

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