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Bahia perde o grande “Pena de Aço”



Esta sexta-feira, 19 de junho, amanheceu repleta de notas de pesar, gratas recordações e emocionados elogios expressos através das redes sociais, sobretudo dos baianos natos ou adotivos. Amigos haviam confirmado o falecimento na noite anterior do jornalista, escritor e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) João Carlos Teixeira Gomes, Joca, o “Pena de Aço”, e a cerimônia reservada de cremação do seu corpo ainda nesta sexta.


Poeta, escritor, ensaísta, professor, membro da Academia Baiana de Letras da Bahia, onde ocupava a cadeira de número 15, Joca fez parte do grupo conhecido como Geração Mapa, ao lado do cineasta Glauber Rocha, do escritor João Ubaldo Ribeiro, do pintor Calazans Neto e do também professor e jornalista Florisvaldo Matos, entre outros. Sob o comando de João Falcão ajudou a fundar o Jornal da Bahia, exercendo funções de repórter, secretário, chefe de reportagem, redator-chefe e editorialista. Joca foi, sobretudo, um batalhador pela liberdade da imprensa contra o arbítrio, contra a ditadura militar, e um exemplo para algumas gerações de jornalistas baianos.


Como redator-chefe do Jornal da Bahia, Joca travou uma luta de vida ou morte contra o ex-prefeito de Salvador e ex-governador Antônio Carlos Magalhães (ACM), representante da ditadura militar na Bahia. Com base em fatos e recordações desta época, escreveu o livro 'Memórias das Trevas', em que conta episódios lamentáveis da vida do político.


Joca também foi colaborador do jornal A Tarde, publicando artigos quinzenais nas páginas de Opinião. Além disso, foi secretário de Comunicação Social do Governo de Waldir Pires em meados dos anos 1980 e diretor do Centro de Estudos Baianos da Universidade Federal da Bahia. Publicou, entre outros, um livro sobre Gregório de Mattos: "Gregório de Mattos, o Boca de Brasa", bem recebido por crítica e público. Escreveu também “Camões Contestador e Outros Ensaios” e a biografia “Glauber Rocha – Esse Vulcão”. Participou, como colaborador, dos livros “Dezoito Contistas Baianos”, “Da Ideologia do Pessimismo à Ideologia da Esperança”, “A Obsessão Barroca da Morte de Manuel Bernardes e Quevedo”. E tem três livros de poesias: “Ciclo Imaginário”, “O Domador de Gafanhotos” e “A Esfinge Contemplada”.


Minha única certeza é minha morte.

Virá festiva, com pendões vermelhos,

Provocadora com seu riso forte.

Mas me verá de pé, não de joelhos.

Pode vir de mansinho a forasteira

Ou numa orgia de ossos e fanfarras,

Com dois laços de fita na caveira

E o ágil chocalhar das finas garras.

Eu que os mares amei, e o sol tirânico,

Os flavos grauçás de dorso enxuto,

As moças de maiô e o vento atlântico,

Sereno hei de esperá-la em meu reduto.

E assim ao ver-me, sem sinal de pânico,

A própria morte se porá de luto.


(“Soneto da Morte Sem Susto”, Joca).

*Agradecimento pelas informações a Fernando Alcoforado e Olívia Soares

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