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Assembleia homenageará centenário de João Falcão


A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) vai realizar, na quinta-feira, 28 de novembro, às 9h30, uma sessão especial em homenagem ao centenário de nascimento de João da Costa Falcão, fundador do extinto Jornal da Bahia. Proposta pelo deputado estadual Alex Lima, a homenagem destaca a história de empreendedorismo, luta e resistência democrática que marcou uma geração de jornalistas baianos.


João Falcão nasceu no dia 24 de novembro de 1919 em Feira de Santana e se formou em Direito em Salvador. Em 1937, Falcão começou sua militância no Partido Comunista do Brasil para se opor ao Estado Novo e, em 1954, foi eleito deputado federal pelo PTB.

Em 1958, ajudou a fundar o Jornal da Bahia, onde permaneceu até 1983. Em 1960, o jornalista também investiu no lado dos negócios, fundando o Banco Baiano da Produção S.A. e em 1977 fundou a João Falcão Urbanizadora. No governo de Luiz Viana Filho, Falcão foi presidente do Banco de Desenvolvimento da Bahia, entre 1967 e 1969.


Nos últimos anos de vida, João Falcão passou a se dedicar a escrever obras autobiográficas, a mais lembrada delas, “Não deixe esta chama se apagar: a história do Jornal da Bahia”, onde conta em detalhes a luta para manter o diário em circulação nos anos 60/70, diante do boicote imposto pela situação política, personalizada na figura do governador Antonio Carlos Magalhães. Em 2009, lançou o último de seus seis livros: “Valeu a pena (Desafios de Minha Vida)”. Em 2010, tornou-se membro da Academia de Letras da Bahia.


Casado com Hyldeyh Ferreira, com quem teve sete filhos, João Falcão morreu no dia 27 de julho de 2011, uma quarta-feira, aos 92 anos, de falência múltipla dos órgãos.



HISTÓRIA DE RESISTÊNCIA


“Não deixe esta chama se apagar” conta uma das mais belas e dramáticas histórias da imprensa brasileira, na qual se registram momentos do mais puro idealismo, na defesa de um jornal livre de injunções partidárias e de grupos econômicos que dominavam a imprensa da Bahia e de quase todo o país. Não obstante esta chama de idealismo dos seus fundadores, em poucos anos o Jornal da Bahia consolidou-se como empresa, realizando uma campanha vitoriosa de assinantes por dez anos e construindo uma bela sede própria no seu terceiro ano de funcionamento.


Nos anos difíceis de repressão por parte do governo e sem publicidade, o jornal contou com o apoio da imprensa nacional, de jornais como O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo e de personalidades, entre as quais deputados estaduais e federais; de órgãos representativos da imprensa, como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Associação Interamericana de Imprensa.


Na trajetória do Jornal da Bahia encontra-se a memória de homens idealistas e brilhantes como Zittelmen de Oliva, Milton Caíres de Brito, Glauber Rocha, João Batista de Lima e Silva, Flávio Costa, Ariovaldo Mattos, Alberto Vita, Osvaldo Peralva, Heron de Alencar, Rafael Pastore, João Ubaldo Ribeiro, Muniz Sodré, Florisvaldo Mattos, João Carlos Teixeira Gomes, Antonio Torres, Sebastião Néri, Fernando Vita, Rêmulo Pastore, Lucia Cerqueira, Tasso Franco, Emiliano José, Levi Vasconcelos, Newton Sobral, Anísio Felix, Gustavo Tapioca Silva e tantos outros.


*Confira a crônica “O papel da imprensa”, publicada no Cidade da Bahia, que lembra uma passagem de João Falcão no Jornal da Bahia.