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A Bahia está viva ainda


Por Diogo Tavares*


Então cá estou de volta. Conheci esta cidade de Salvador por muitos lados. Como repórter, uma vez, recebi duas pautas num sábado, uma na Lagoa do Abaeté, outra em São Tomé de Paripe. As reclamações do motorista e do fotógrafo não me abalaram na minha ressaqueada maresia ao longo de mais de 50 quilômetros de praias. Depois a conheci pelo lado da burocracia que busca ordenar o caos, na Secretaria de Comunicação.


Seis anos. Olhando de fora pode parecer pouco, mas a primeira impressão que tenho é de uma eternidade. Algumas coisas parecem ter descolorido como velhos retratos. No Porto do Moreira o velho Antônio já não está para ameaçar ironicamente a mesa de jornalistas, políticos e advogados dizendo que ia chamar a polícia pra prender todo mundo. Também já não está por aqui Vicente de Paula, companheiro da saideira no Abaixadinho, na frente da Tribuna e do Jornal da Bahia. Após atender o telefone (ainda não havia celular), o proprietário Zé me dava o recado de que eu podia subir para a redação pra acabar a edição da página, pois a coluna de Jânio de Freitas estava chegando no telégrafo.

Assim como Vicentão, muitos companheiros tombaram no front da vida nos últimos anos, como Luiz Villa e Luiza Marques. Antonio Jorge Moura – o “Criatura”, como chamava Demóstenes Teixeira – havia sobrevivido a um grave desastre de carro numa das campanhas de ACM Neto, mas dos acidentes de viver ninguém escapa. Ângelo Roberto, o nosso Anginho, foi encontrar com o amigo Tuna Espinheira para uma conversa sem compromissos que eu acho que ainda não vai ter acabado quando os que ainda estão por aqui chegarem.


Voltar a andar pelas ruas de Salvador traz muitas recordações de uma galera de responsa que conheci em redações e resenhas etílicas, como Lucia Cerqueira, Rêmulo Pastore, Sebastião Valença, Irecê, Lucia Ferreira, Linalva Souza, Vicente Sarno, Damário Dacruz, Bonfim Caetano, Wilson Besnosick. Uma turma que daria pra fazer um grande jornal no céu, mas que nos deixou mais ainda sem ânimo de ver as notícias daqui.


Pode parecer um texto de lamento, mas não é. Falo dos que partiram para os que ficaram com a convicção de que a Bahia vive, ainda, e se ela vive é porque abrigou esta turma boa, que preservo em mim e que permanece nas lembranças de muitas outras vidas. Se revelam, vivos na memória, ao passar pela Djalma Dutra, pelo Dois de Julho, pelas Sete Portas, pelo Campo Grande, pelo Fim de Linha da Federação, pelo Largo de Santana.


Melhores ou não, as ruas de Salvador ignoram minhas recordações e seguem sua rotina impassível. Eu também busco novas rotinas nestes velhos caminhos. É quando inadvertidamente, numa metrópole com três milhões de viventes, alguém grita o meu nome.


Sem dúvida, as ruas de Salvador seguem repletas de vida, de histórias, de encontros e desencontros. Graças a todos os amigos que me apresentaram a esta terra dessemelhante, a grande cidade da Bahia vive ainda dentro e fora de mim.


*Nova versão de artigo publicado originalmente no site pessoal